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Ansiedade climática: Como a emergência climática impacta a saúde mental dos jovens?

O futuro é agora 

Enfrentar a crise climática está longe de ser algo do futuro. Os impactos das catástrofes ambientais causadas pelo aumento da temperatura global já são sentidos em diversas regiões, principalmente pelas populações mais vulneráveis. Sabe-se que as mudanças climáticas decorrentes da ação humana também estão relacionadas ao surgimento de pandemias e doenças que ficam ainda mais transmissíveis em ambientes insalubres ou contaminados. Seja pelas secas ou inundações, os eventos extremos causados pela mudança no clima, a saúde humana pode estar em risco de diferentes formas. 

Além de doenças e perdas materiais que esses eventos podem causar, o sofrimento humano e as consequências para a saúde mental da população mais atingida precisam ser acolhidas e reparadas. Em algumas regiões, como favelas e casas em encostas de morros, os primeiros sinais de chuva já causam medo e angústia.  Lorena Froz, parceira do Fé no Clima, idealizadora do Faveleira e cria de Nova Holanda, uma das dezesseis favelas da Maré no Rio de Janeiro, se refere a esse sentimento quando pensa em como o lugar que ela cresceu será impactado pelas mudanças climáticas:

“Para os moradores de favela, que é o meu caso, entender que a Nova Holanda está abaixo do nível do mar é uma notícia que até hoje eu acho que eu ainda não digeri muito bem. Com as consequências das mudanças climáticas, o local onde eu cresci e passei a maior parte da minha vida, simplesmente pode deixar de existir, isso é algo muito ruim e muito difícil de pensar e de imaginar.” 

Segundo dados do documento “Estratégia de Adaptação às Mudanças Climáticas da Cidade do Rio de Janeiro” de 2016, a favela de Nova Holanda é um dos pá ontos com alto índice de inundações. O relatório “Áreas da cidade passíveis de alagamento pela elevação do nível do mar” de 2008 também já apontava que essa região, por já ter sido bastante aterrada, apresenta mínimas áreas abaixo de 1,50 metro, indicadas como passíveis de alagamento. Mesmo tendo dados que indiquem a necessidade de um plano de adaptação climática, não há um investimento necessário para a implementação de serviços adequados, como saneamento básico. Essa ausência do estado em trazer medidas eficientes para problemas que já estão afetando milhares de pessoas ainda causa mais sentimentos que afetam a saúde mental, como exemplifica Lorena:

“Será que o governo e as autoridades não estão vendo o que está acontecendo? Isso gera muito esse desconforto. A ansiedade de querer essa mudança, de saber que existem meios de você mudar essa situação, mas nada é feito, então ficamos com uma angústia muito forte.”

“Ansiedade Climática”, “ Ecoansiedade” e “luto ecológico” 

Já existem alguns estudos que utilizam termos como “ansiedade climática”, “ecoansiedade”, “luto ecológico” como uma forma de descrever essa exaustão mental que decorre do entendimento da dura realidade frente a crise climática e o sentimento de desesperança. É preciso destacar também que as juventudes são impactadas de forma diferente, já que essa geração se depara com a crise climática em uma outra escala, em termos do que já está acontecendo e as previsões futuras. 

Em um estudo global realizado com 10.000 jovens, entre os 16 e os 25 anos de 10 países diferentes, para avaliar o que pensam das alterações climáticas, foram coletadas respostas que se resumem em duas palavras: extremamente preocupadas. Os participantes também apontaram que os governos não estão fazendo o suficiente para combater as alterações climáticas. O estudo concluiu que existe um fenômeno global que se expressa em uma correlação entre emoções negativas, como a preocupação, e a crença de que as respostas dos governos às alterações climáticas têm sido inadequadas. Assim, a forma como os governos têm abordado – ou não têm abordado – as alterações climáticas, está afetando diretamente a saúde mental dos jovens.

Redes de Apoio e cuidados com a saúde mental 

Diante desse cenário, é importante destacar a importância do amparo psicológico e de uma rede apoio para que as pessoas consigam cuidar da sua saúde mental. O estado precisa garantir serviços públicos de qualidade, não só saneamento básico, mas como também formas de assistência psicológica e acolhimento para pessoas mais impactadas. Sabemos que em muitos lugares esse papel acaba sendo realizado por comunidades religiosas, são as pessoas que estão vivendo diariamente com os problemas e encontram a fé como um caminho de conforto para ultrapassar esses momentos difíceis. 

Unir a ciência, com dados e informações técnicas, junto com os saberes comunitários e redes de suporte já construídas, é um elo essencial para a implementação de estratégias para adaptação climática principalmente nos espaços mais afetados por essa situação de emergência que estamos vivendo. 

 

Julia Rossi é Biofísica, doutoranda em Geografia e Meio Ambiente na PUC Rio e redatora da equipe de comunicação do ISER.

 

Referências 

https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3918955 

https://www.apa.org/news/press/releases/2017/03/mental-health-climate.pdf 

https://yaleclimateconnections.org/2020/02/how-climate-change-affects-mental-health/ 

https://www.ihu.unisinos.br/613279-ansiedade-e-luto-ecologico-a-saude-mental-em-tempos-de-crise-climatica#:~:text=Na%20NPR%2C%20Sharon%20Pruitt%2DYoung,e%20do%20sentimento%20de%20desesperan%C3%A7a

http://rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/9857523/4243335/EstrategiadeAdaptacaoasMudancasClimaticasdaCidadedoRiodeJaneiro.pdf

Uma nova narrativa evangélica inclui também uma nova narrativa ambiental.

“Abacateiro, acataremos teu ato

Nós também somos do mato como o pato e o leão

Aguardaremos, brincaremos no regato

Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração”

 

Como os evangélicos pensam sobre as questões ambientais? Esta é uma pergunta complexa, já que os evangélicos não são uma massa homogênea e existem diversos jeitos de ser crente. 

Segundo pesquisa realizada pela agência Purpose, com 2.000 evangélicos em todo o país, cerca de 77% dos crentes gostariam que sua igreja apoiasse atividades ambientais. O cuidado com a criação é, no geral, uma preocupação de pessoas de fé cristã. Mais do que isso, pessoas evangélicas também são vítimas de 

Recentemente, no podcast Casa de Muitas Janelas, contamos a história da Igreja Batista de Coqueiral, uma comunidade evangélica que sofreu o peso da emergência climática nas inundações de Recife em novembro de 2022. O espaço da igreja foi invadido pelas enchentes e, nesse processo, perdeu-se grande parte dos equipamentos. Mas mesmo durante a crise, o lugar que inundava serviu como um lugar de acolhimento para as pessoas da comunidade que estavam sendo vítimas das enchentes e já não tinham onde passar as noites de terror. Foram dias de trabalho voluntário, organização de doações, atendimento médico e psicológico para apoiar as famílias no momento que foi uma espécie de fim do mundo para muitos.

Cristianismo e mudança climática

O caso de Coqueiral mostra que uma experiência evangélica engajada com a perspectiva socioambiental é possível. Mais do que possível, é urgente. A mudança climática tem abreviado os dias de comunidades inteiras por todo o mundo. A poluição da terra, do ar e das águas tem gerado intensas consequências para a saúde do nosso povo. 

Um compromisso profundo com o Cristo de Nazaré, que nos ensinou a olhar e admirar as aves e as flores, deve considerar a preservação ambiental, aqui e agora. O modelo capitalista e predatório de produção, que escraviza a terra e as águas, com o garimpo ilegal e grilagem de terras, está longe do ideal do Reino de Deus.

A espiritualidade das florestas tem muito a nos ensinar

No final de julho, participei da imersão na Amazônia com a CreatorsAcademy, uma plataforma que conecta pessoas produtoras de conteúdo aos biomas brasileiros. Foi a primeira vez que eu, criada no interior mas vivendo a cidade, pude adentrar a floresta amazônica. Ficamos uma semana em comunhão com o povo indígena Puyanawa, que vive na região do Juruá, no Acre. Até 1950, os Puyanawa foram escravizados pelo coronel Mâncio Lima, em um processo de intensa violência, separação de famílias e colonização que levou à perda de parte da cultura indígena. Na retomada, guiados pela espiritualidade, o povo indígena resgata a raiz forte que não se perdeu, que se encontra a cada canto, pintura, vivência aprendida e a cada árvore plantada.

Dentro da floresta, encontrei uma espiritualidade que está para além dos templos religiosos. Uma espiritualidade ancestral que se revelou aos povos indígenas por milhares de anos e que tem sido resgatada quase como um milagre. Encontrei, inclusive, pessoas indígenas evangélicas que retomam a cultura e afirmam que nunca vão deixar de ser indígenas por serem evangélicas.

Enquanto caminhávamos com Cíntia Flores, uma mulher indígena que construiu uma pousada na região ribeirinha do Rio Crôa, encontramos a Sumaúma, também chamada de “árvore da vida” ou “criadora do mundo” pelos povos amazônidas. Entendi o significado do salmo que diz que o justo é como a árvore plantada junto a um ribeiro de águas. Povos indígenas são raízes fortes de justiça. 

Na floresta, ouvi de perto o canto de alegria das árvores da floresta, como escrito na Bíblia:

“Regozijem-se os céus e exulte a terra!

Ressoe o mar e tudo o que nele existe! Regozijem-se os campos

e tudo o que neles há!

Cantem de alegria todas as árvores da floresta”

– Salmos 96:11-12

Lutemos pela floresta de pé

Manter a floresta de pé é um desafio. Um mês depois de nossa passagem pela Aldeia Puyanawa, soubemos que parte da floresta no território Ashaninka, na mesma região, estava sendo queimada. 

A destruição da Floresta Amazônica chegou a 10.362 km² em 2021, o que equivale a metade do estado de Sergipe. O que acontece na floresta impacta na cidade, com as mudanças climáticas que sentimos em todo país, nas secas e enchentes, nas epidemias, nos problemas respiratórios.​

As queimadas, o garimpo ilegal, o desmatamento para criação de pastos colocam em risco a vida de pessoas, animais e toda a biodiversidade. Dezenas de comunidades indígenas, inclusive isoladas, estão ameaçadas pelo avanço da mineração em suas áreas, sofrendo ameaças, violência e contaminação. 

Diante disso, como cristãos devem pensar sobre as questões ambientais?

A floresta está nos planos de Deus. A floresta faz parte de nós. A floresta está dentro de mim. Temos muito a aprender sobre os planos de Deus para o mundo com os povos da floresta.

“De cada lado do rio estava a árvore da vida, que frutifica doze vezes por ano, uma por mês. As folhas da árvore servem para a cura das nações.” – Apocalipse 22:2

Erga a voz diante dos oprimidos!

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Luciana Petersen é cristã progressista, feminista negra, coordenadora de comunicação do Institutos de Estudos da Religião (ISER), coordenadora do Novas Narrativas Evangélicas, editora do Projeto Redomas, podcaster no Toda Gente e Redomascast.

O saber ancestral da vida moderna

Bacana ver como as pessoas sentem saudade daquilo que foi bom. Quando é negativo, automaticamente o nosso ori – cabeça em yorùbá – trata de esquecer. Sou Joaquim D’Ògún, Babalorixá do Ilê Axé Meji Omi Odara, em Saracuruna, Duque de Caxias, jornalista e escritor da obra Eu, Você e os Orixás. Vamos conversar sobre a nossa alimentação atual e a valorização daquilo que sempre existiu na formação do povo periférico?

Acho interessante o termo utilizado para qualificar os alimentos produzidos no quintal de nossos mais velhos. As tecnologias ancestrais vão de encontro com aquilo que foi apagado pelo próprio sistema através do capitalismo. Ou sua avó não plantava nada em algum espaço da casa?

Terminei os dois primeiros parágrafos com questionamentos, básicos, para deixar claro que existem perguntas que você finge não entender ou que nunca parou, de fato, para pensar.

A nossa saúde debilitada está atrelada a quantidade de agrotóxico utilizado no plantio dos alimentos que consumimos. A falta de preparo da terra viabiliza poluentes prejudiciais ao seu sistema imunológico.

O ar que respiramos oxigena o cérebro. A água dá fluidez ao sangue que corre em suas veias. Por isso a necessidade de saneamento básico, por exemplo. A ausência mata você por dentro. E nem adianta acordar cedo para respirar melhor, como diziam os mais velhos, pois a neblina encontra um solo poluído, fazendo com que o trabalhador inale isso todos os dias em sua longa jordana até o trabalho.

Dentro do candomblé, culto afro-brasileiro existente em nosso país, exaltamos a força do Orixá, que é a natureza. Não, Orixá não é um espírito. Seus ancestrais, familiares ou não, é que almejam a continuidade de sua crença, fazendo com que informações e ações, levem seus consanguíneos até esse encontro energético.

A citação acima é para dizer que: sim, cuidamos da natureza. Os erros cometidos por alguns adeptos, se dá pela falta de conhecimento acerca do que era realizado pelos seus antepassados.

A importância das folhas para o culto é como o glóbulo branco para o seu corpo. Sem elas não há medicina e possível cura. Sua avó cuidou de seus pais com muita taioba, folha construída por carboidratos. Uma espécie de carne vegetal, dada qualidade de seus nutrientes. Tal como o fubá de milho e sustância que ele traz para o corpo, na batalha diária contra a fome. Na África, inclusive, o ekó – canjica de milho branco – e o inhame cará, são os alimentos mais consumidos pela população.

Os itens que trago, assim como outros que poderia citar, eram e, são, essenciais na vida de uma pessoa. Hoje em dia, por conta do capitalismo, cidadãos em situação de vulnerabilidade não reconhecem o valor dessa alimentação viável.

A gente só lembra da abóbora no halloween, mas ela é tão simples de ser plantada que assusta. Os grãos se proliferam pelo chão e dão fibra para o seu corpo. Os índices de anemia não eram baixos atoa. O grão de feijão e demais legumes tinham valia diante da família. 

O que falar do ovo, rico em todas as proteínas. Toda casa tinha sua pequena criação de galinha para que fosse possível consumir esse precioso alimento. Assim como a carne, geralmente degustada no fim do ano, em período festivo de natal e ano novo.

As hortas orgânicas, totalmente necessárias para essa valorização dessas técnicas ancestrais, nos faz pensar onde isso se perdeu. A poluição dos mares impede a pesca nos rios e simples valas, onde as crianças brincavam, por exemplo.

A falta de zelo humano com a natureza desqualifica o que nos mantém vivos, mesmo que nossa saúde prejudicada faça com que pareçamos mortos, internamente. Será preciso mais do que hortas para reativar essa memória alimentar presente em cada um de nós. Políticas de conscientização e preservação de espaços verdes facilitarão que a história ancestral de povos originários e negros não adoeçam ainda mais, como o nosso organismo.

Enquanto isso não ocorre, a renúncia pelo cuidado e preservação é valorizada como tecnologia ancestral pela elite, que comercializa os produtos orgânicos a peso de ouro nas feiras livres.

 

Joaquim Azevedo é Babalorixá do Ilê Àse Meji Omi Odara, Ativista Sociorreligioso, Escritor, Fotojornalista e fundador do movimento de retomada Aquele Axé.

Presente de Yemoja Sustentável: um caminho para sustentabilidade.

As religiões que possuem como origem os Povos tradicionais de Matrizes Africanas (POTMA) tem como elemento primordial a preservação e conservação dos espaços naturais sagrados. No Brasil, os saberes e fazeres ancestrais, ou seja, a cosmovisão desses povos fora preservada nas Unidades Territoriais Tradicionais (UTT) também conhecidas como Terreiros, Abassás, Kwes, Ilê asé entre outros.  A diversidade de tradições dos potmas torna ainda mais desafiadora e complexa essa relação territorial. De modo geral as religiões afro-brasileiras possuem a crença que exista uma energia vital única em cada ser vivo ou elemento constituinte da natureza. Esse conceito tradicional é chamado de Axé (Asé). O Axé pode ser compreendido como a partícula divina, sendo esse o princípio que une e transpassa a todas as religiões afro-brasileiras.    

Os espaços naturais sagrados são considerados altares naturais, locais que funcionam como fonte originária do Axé. Cada ambiente possui uma determinada função e propriedade específica de manutenção e renovação do Axé contido em cada ser vivo.  Os  principais espaços naturais utilizados pelos potmas são os Mares, Mangues, rios, encruzilhadas, montanhas, feiras livres, mercados, bosques, estradas etc..  A não utilização desses espaços, assim como elementos que não pertencem ao mesmo ou interferem na dinâmica natural do ambiente como sujeiras, poluição, desmatamento, lixo, queimadas, interferem diretamente na manutenção das tradições religiosas dos potmas. 

O mar/praias são os espaços naturais mais utilizados por esses povos tradicionais, por se tratar de um local de resgate, purificação e interseção entre o território atual (Brasil)  e o continente africano.  No Brasil a maior festa popular que possui como origem as tradições africanas são os festejos dos Presentes à Yemoja. A divindade Yemoja é considerada a Rainha do Mar apesar de ter o domínio sobre as águas dos rios em sua cidade natal. 

 Tradicionalmente os presentes são feitos e organizados pelos potmas, em alguns locais possuem forte participação dos pescadores, marisqueiras e outros povos tradicionais. Em sua maioria essas devoções são motivadas pelos agradecimentos de uma boa pesca (pelos pescadores) e por inúmeras graças obtidas pela misericórdia da divindade Yemoja.  A poluição dos mares impacta diretamente aos festejos a rainha do mar, assim como todos os povos tradicionais que dele sobrevivem. 

Compreendendo a necessidade do resgate tradicional das festas dos Presentes de Yemoja e entendendo que esse evento pode contribuir para uma mudança geral no paradigma ambiental para toda a sociedade, nasce o Presente de Yemoja Sustentável.  Esse presente tem como objetivo conscientizar os potmas assim como todos os participantes do evento que podemos fazer a manutenção da nossa fé (Axé) sem poluir os espaços naturais sagrados.  Esse presente é feito apenas como produtos naturais, substituindo os objetos, recipientes e outros elementos industrializados por peças artesanais produzidos pelas Utts que possuem como matéria prima apenas materiais orgânicos. 

 O primeiro Presente de Yemoja Sustentável ocorreu no ano de 2020, na praia do Recôncavo em Sepetiba, Rio de Janeiro-RJ.  Esse presente ocorreu graças a comissão organizadora do Presente á Yemanja em Sepetiba que é realizado no segundo domingo de fevereiro desde  o ano de 1994.  O evento já orientava seus participantes a não utilizarem garrafas de vidro como medida para minimizar os impactos ambientais proporcionado pelas oferendas ofertadas durante o evento.  No ano seguinte, entendendo a importância social, ambiental e educacional que o evento pode ter, a comissão organizadora cria uma coordenação específica voltada para assuntos ambientais, convidando o idealizador do Presente de Yemoja Sustentável a integrar oficialmente ao evento. A partir do ano de 2021 apenas oferendas sustentáveis foram direcionadas ao mar.  

O Balaio Cerimonial Sustentável ofertado a divindade Yemoja é composta por uma boneca feita de palha de milho (coletada nos mercados e feiras da região). Esse material natural também é facilmente encontrado nos terreiros, pois compõe um dos pratos tradicionais dedicados a divindade da prosperidade, o Orixá Oxóssi. Esse orixá é um dos filhos de Yemoja, logo sempre presente ao redor de sua mãe. 

Outro objeto importante que compõe essa oferenda é o abebé (Espelho de mão) que em sua maioria é produzido de plástico, metais, vidros ou papelão revestido de tecidos industrializados. Esses materiais poluentes, que contribuem para poluição dos mares, principalmente pela problemática dos microplásticos, são substituídos por taliscas de mariwo (nervura das folhas de dendezeiro) e trabalhados artesanalmente com palhas da costa. O abebé sustentável não utiliza o espelho em sua composição, por entender que esse objeto simbólico pode cortar e poluir ainda mais a casa dos irmãos marinhos. 

Os vidros de perfumes industrializados presentes nas oferendas, são substituídos por Omi eró ( Águas de ervas aromáticas ) que tradicionalmente são utilizadas as divindades iyagbás ( mulheres). A erva Colônia, makasá e principalmente o manjericão branco são as principais ervas utilizadas. Esses vegetais trazem consigo o Axé da calma, equilíbrio, e boas vibrações para as pessoas que as utilizam.  O cesto de vime que é utilizado para armazenar todos os elementos da oferenda, representando o “corpo” é ressignificado a partir de um balaio de folha de coqueiro, outro vegetal tradicional muito utilizado pelos potmas. 

Os pentes, sabonetes e garrafas de champagne que são ofertados para a rainha do mar são substituídos por alimentos tradicionais como frutas e comidas. No presente sustentável, a quantidade de cada elemento utilizado é repensada, trabalhando assim as relações de consciência ambiental pelo excesso de consumo.  A recomendação é que todos os participantes se alimentem das comidas tradicionais após o processo de sacralização das oferendas, para que assim restabeleçam o axé de cada participante e fortaleçam o elo com a divindade Yemoja.  

 Os eventos dedicados a rainha do mar são excelentes oportunidades de se trabalhar uma educação ambiental decolonial sustentável assim como os preconceitos e acabar com o racismo estrutural e religioso. 

 

por Rodrigo Carneiro – Babazinho (Iwin L’orun Egbe Tayó) 

Professor de biologia (Seeduc), Pedagogo, Mestre em ensino de ciências, ambiente e sociedade (UERJ-FFP) , especialista em educação étnico -racial (UFRRJ), Sacerdote do Terreiro de Obatalá – Ile Omi Orun, fundador presidente do Instituto Terreiro Sustentável. Atuo com educação ambiental popular de terreiro, sustentabilidade e saúde.

Interpretando a Bíblia com olhares decoloniais 

 

Fala minha lindeza climática 🙂 

Antes da gente começar, deixa eu me apresentar.

Meu nome é Amanda Costa, sou comunicadora climática, internacionalista e ativista. Fundei o Instituto Perifa Sustentável, apresento o programa de Televisão #TemClimaPraIsso e hoje ocupo a posição de Jovem Conselheira do Pacto Global da ONU. Apesar de ser bastante coisa, enxergo essas atividades não apenas como trabalho, mas parte da missão que Jesus Cristo colocou em meu coração. 

 

Me envolvi com a luta ambiental decolonial e agora quero ampliar narrativas antirracistas. Até porque, já está na hora da gente combater aquele ambientalismo colonial que não traz a perspectiva de raça, gênero e classe para o debate. Ou seja, precisamos desmistificar o discurso daqueles doidos que falam que o lixo, o desmatamento e a miséria são culpa do pobre, sem pensar em toda a construção histórica que formou os lugares sociais que ocupamos hoje. 

 

Pois é, minha querida leitora. Tudo tem uma lógica por trás.

 

Apesar desse papo ser totalmente cringe, ainda existe uma galeeeera que defende o ambientalismo fundamentado numa ecologia colonial, patriarcal e racista, que preserva os interesses daqueles que há séculos ocupam um lugar de poder, privilégio e domínio no mundo.

 

Esse padrão de pensamento é bemmm antigo, também conseguimos encontrar no primeiro livro da Bíblia, na história da Arca de Noé. De acordo com Moisés, líder do povo de Israel que escreveu os primeiros cinco livro da Bíblia, Deus mandou Noé construir uma Arca para salvar a sua família junto com algumas espécies de animais, pois o Criador estava zangado com o pecado do povo e decidiu recomeçar do zero, destruindo a Terra e seus habitantes com fortes chuvas.

 

Esse torozão durou 40 dias e 40 noites, ficando conhecido como Dilúvio. 

 

Além da perspectiva religiosa, quero te convidar a analisar a história da Arca de Noé a partir de uma metáfora política. De acordo com Malcom Ferdinand, a “A arca de Noé  estabelece as balizas dos possíveis pensamentos sociais e políticos relativos às maneiras de enfrentar a crise ecológica. a Arca de Noé traz a cena do mundo no coração do ambientalismo moderno, comportando um política de embarque. Desse modo, ela simboliza um impulso inicial de ações e discursos que tem a função de construir esse embarque político e metafórico de um mundo diante da catastrófe.” 

 

A questão que fica é: quem tem o direito de entrar na Arca? Quem são os eleitos e quem são os excluídos?

Esse sistema, que elege uns em detrimento de outros, reproduz uma narrativa segregacionista, fortemente utilizada por líderes religiosos para manter o padrão de exclusão, marginalização e invisibilidade de corpos que não se encaixam no padrão de comportamento pregado e esperado.

 

Veja só essa parte do livro Uma Ecologia Decolonial, do Malcom Ferdinand:

“O que acontece na Terra, com os solos e com as florestas repercute no próprio corpo dos humanos, assim como em suas condições de vida sociais e políticas, e vice-versa. O solo das plantantions e o corpo dos escravizados confundem-se em uma única Terra-Negra subjugada pelo habitar colonial. Manter juntos antiescravagista, anticolonialismo e ambientalismo, desfazer-se da sombra do porão do antropoceno: essa é a missão de uma ecologia decolonial.” 

 

Os impactos da narrativa colonial não param por aí. Após o dilúvio, relatos bíblicos dizem que o líder Noé dormiu embriagado de vinho e Cam, um de seus filhos, expôs a nudez do pai aos irmãos com zombaria. Ao acordar, o pai amaldiçoou Canaã, filho de Cam, a ser “servo dos servos”. Como Cam e seus descendentes povoaram a África, esse episódio de Gênesis foi utilizado tanto por Negreiros europeus como pelos comerciantes árabes-muçulmanos do tráfico negreiro para justificar o injustificável: a escravidão do povo preto. 

 

Agora eu te pergunto: oque fazer para mudar esssa realidade?

Numa sociedade marcada pelo racismo, o corpo negro é constantemente relacionado a um lugar de pobreza, violência e exploração. Desse modo, o embranquecimento foi visto como solução para a redenção. Dá uma olhadinha no quadro abaixo:

 

  • Mulher negra retinta descalça, pisando na terra. Isso significa que ela está distante da civilização, próxima da natureza;
  • Filha com traços evidentes da mestiçagem, provavelmente fruto de um estupro. A filha está com os pés entre a Terra e o chão pavimentado.
  • Homem branco que carrega um sorriso de satisfação/deboche e um olhar de superioridade, passando uma sensação de que “cumpriu seu dever”. Ele tem os pés calçados, está num piso pavimentado e sentado na entrada de uma propriedade.

Esse quadro representa um contexto eugenista e traz a ideia de que o clareamento da pele siginifica algo positivo. Da mesma forma que a pele negra está relacionada com *maldição* e a natureza é enxergada como atraso, a pele branca foi relacionada com *redenção* e o *urbano* como evolução. Essa imagem reflete a maneira que o mundo colonial aprendeu a habitar a Terra: explorando a natureza, destruindo o meio ambiente e degradando os ecossistemas do planeta.

 

Por mais incômodo que seja, precisamos trazer essa conversa para a mesa. Vivemos num mundo cortado pelo racismo, pelo preconceito e pelo patriarcado. Se nós, enquanto pessoas que desenvolvem uma espiritualidade, não puxarmos esse assunto, deixamos à deriva para que narrativas estereotipadas de quem não entende o nosso universo sejam criadas. Já dizia Martin Luther King:

 

“A verdadeira paz não é somente a ausência de tensão, é a presença de justiça.”

 

Querida leitora, agora quero deixar uma coisa bem escura: esse artigo não é uma crítica contra a Bíblia, mas sim uma crítica a interpretação que alguns líderes religiosos fizeram dela. Nesse momento eu te convido a fechar os olhos, respirar fundo e orar baixinho. Converse com o Espírito Santo e peça sabedoria, diga para ELE te revelar toda a verdade escondida na história. 

 

Lembre-se: “Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará.” (João 8:32)

 

Mini biografia: Amanda Costa é ativista climática, jovem conselheira do Pacto Global da ONU, fundadora do Instituto Perifa Sustentável e apresentadora do #TemClimaParaIsso?, um programa sobre crise climática. Formada em Relações Internacionais, Amanda foi reconhecida como #Under30 na revista Forbes, TEDx Speaker, LinkedIn Top Voices e Creator e em 2021 foi vice-curadora do Global Shapers, a comunidade de jovens do Fórum Econômico Mundial.

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