COP 30 no Brasil: um novo capítulo na agenda climática global

A diplomacia brasileira pode atuar para que a ausência dos EUA não seja um retrocesso? | Entrevista com Diosmar Filho



Em janeiro de 2025, assim que tomou posse, o presidente dos EUA Donald Trump, assinou um decreto retirando o país do Acordo Climático de Paris. Apesar de já ter retirado os EUA do compromisso internacional em seu primeiro mandato, a decisão causou grandes debates acerca da temática sobre negociações e mudanças climáticas.

Os EUA têm historicamente resistido a avanços na agenda de adaptação climática, o que pode impactar negativamente os esforços globais para proteger as populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Diante desse cenário, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em novembro, pela primeira vez no Brasil, surge como uma oportunidade crucial para avançar na agenda de adaptação climática e engajar economias emergentes e países em desenvolvimento.

O geógrafo e pesquisador sênior da Associação de Pesquisa Iyaleta Diosmar Filho, traz uma análise sobre a retirada dos EUA do Acordo de Paris no ano da COP 30 para além das reações alarmistas. “Temos uma agenda super sensível para a COP 30 no Brasil, chama-se artigo 7: adaptação climática. Se a gente conseguir colocar as economias emergentes e os países em desenvolvimento nessa agenda para aprovar os objetivos global e ampliar o financiamento nessa agenda, a COP 30 no Brasil cumpre seu papel com muita força”, explica. 

O pesquisador também aponta o potencial da diplomacia brasileira na condução das negociações e na busca por soluções que garantam um futuro sustentável para todos. “Eu acredito muito na diplomacia brasileira. Eu acho que é uma das melhores diplomacias no mundo e na negociação climática. Acredito que o Brasil está muito preparado para esse ciclo com o Donald Trump”, afirma Diosmar que acredita que a diplomacia é vista como competente e capaz de lidar com a ausência dos EUA no Acordo de Paris durante a COP. 

A agenda climática global tem priorizado a mitigação das emissões em detrimento da adaptação aos impactos das mudanças climáticas e do apoio às populações vulneráveis. Historicamente os EUA não apoiaram a agenda de adaptação. “A agenda climática em si, até este ano, girou em torno da mitigação e em torno da economia, ela não girou em torno de cuidar da população vulnerável no mundo à mudanças climáticas”, pondera o geógrafo. 

Mesmo sem a participação do governo americano, a COP 30 no Brasil surge como um momento estratégico para avançar na agenda de adaptação e engajar diversos setores como a sociedade estadunidense, os governos locais e outros atores buscando o financiamento necessário para os países mais vulneráveis a fim de garantir um futuro sustentável.