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Eventos climáticos e tragédias recorrentes: o que o caso de petrópolis nos alerta?

Completa-se dez dias desde a tragédia que ocorreu na região de Petrópolis e continuamos consternados com todas as perdas. Além do sentimento de tristeza pela tragédia em si, também nos deparamos com questões urbanas e ambientais que precisam ser pautadas para que haja a proteção da população mais vulnerável a esses eventos climáticos. Trazemos aqui alguns pontos para refletir sobre a necessidade de implementação de políticas para a gestão de riscos climáticos bem como políticas sociais para a redução das desigualdades. Para essa reflexão, convidamos Luísa Ázara Ramos, petropolitana, bióloga, professora, educadora ambiental e uma das pessoas que está trabalhando arduamente nas frentes de recuperação da cidade.

Luísa nasceu e foi criada no Alto da Serra, região do Morro da Oficina, onde ocorreram muitas perdas humanas, pois diversas casas deslizaram nessa encosta. Segundo ela, a região serrana do Rio de Janeiro possui o relevo acidentado, com cidades na beira de rios, e o asfalto não permite a infiltração da água da chuva, e não há escoamento. Por isso, quando os rios enchem, o volume de água aumenta muito e com ela vem a força devastadora que arrasta tudo pela frente.

Existem três importantes rios que passam no Centro da cidade de Petrópolis: Piabanha, Quitandinha e Palatinato. Segundo especialistas, uma das principais causas para a tragédia teria sido a obstrução de um canal que leva as águas do Quitandinha para o restante da cidade. A falta de obras estruturais emergenciais tiveram papel crucial na tragédia provocada pelas fortes chuvas que atingiram Petrópolis no dia 15 de fevereiro.

A bióloga aponta a urgência de se pensar no planejamento urbano, e levar em conta o código florestal e as áreas de preservação ambiental que a cidade vai ocupando sem fiscalização e não respeitando as medidas de proteção. Outras áreas da região são uma ‘bomba relógio’ para a cidade, e faltam obras estruturais de manutenção que precisam ser feitas, como um “túnel estravasador”, para sanar essa questão hídrica. Especialistas também afirmam que, se tivessem sido feitas obras de contenção de encostas e de desobstrução do maior canal subterrâneo do município, que há mais de duas décadas não é feita, os impactos poderiam ter sido atenuados.

Luísa ressalta como grande questão o fato de que as pessoas mais atingidas, como no Morro da Oficina, já eram pobres e perderam o pouco que tinham. Ou seja, se essa população não tiver uma moradia digna e os governantes não executarem um programa habitacional sério, as pessoas que sobreviveram ao desastre vão se mudar novamente para uma área suscetível a eventos climáticos extremos e cada vez mais frequentes.

Além de programas habitacionais e uma reforma urbana na infraestrutura de escoamento de água e contenção de encostas, é necessário também investir em um processo educacional. Segundo Luísa Ázara, “as pessoas têm que ter consciência ambiental e também participação na vida política, nós temos mecanismos de participação popular e precisamos nos apropriar disso para cobrar medidas efetivas”

Pela perspectiva da justiça climática, ela afirma então que “se partimos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, podemos perceber que estamos falando de questões sociais, portanto, se a gente não erradicar a pobreza e não der soluções para o acesso à moradia digna, à saúde e ao meio ambiente equilibrado, continuaremos sofrendo com essa tragédia.”

Diante desse cenário de destruição, Luísa desabafa sobre a sensação de angústia e impotência, e, ao mesmo tempo, de muita colaboração, formação de redes de apoio, muitas partindo de igrejas evangélicas e católicas, que estão acolhendo pessoas desabrigadas, oferecendo apoio, comida e direcionando para lugares adequados. “Sobre a fé, acho que é a única coisa que mantém de fato as pessoas de pé e fazendo o que é possível nesse momento. Famílias inteiras destruídas, se você não tiver fé nesse momento, você não consegue se levantar.”

Julia Rossi – Pesquisadora do Fé no Clima

O que é racismo climático?

Em nosso último texto sobre as enchentes e mobilizações para o enfrentamento aos desastres climáticos, discutimos sobre as condições naturais e sociais que influenciam no impacto dessas chuvas às populações mais vulneráveis. Essa população mais afetada não é composta por pessoas brancas e ricas do país, ao contrário, é , em sua maioria, negra, indígena e pobre (1). Essa relação resume-se em um termo que está sendo cada vez mais utilizado e que queremos desenvolver aqui um pouco, o racismo climático.

O racismo climático é um termo que na teoria é novo, mas na prática de quem vive nesse contexto de desastres causados pelos eventos climáticos, ele é um termo muito presente na vivência dessas pessoas. Esse conceito também está relacionado com a injustiça climática, que é usada para identificar essa população e grupo de pessoas que menos cooperam com essa crise climática mas são os mais afetados por ela. Segundo Karina Penha, que é bióloga, ativista climática e mobilizadora do Nossas e parte do Fé no Clima,  “quando a gente olha para essa realidade, mesmo com a escassez de dados relacionados às categorias de raça e cor, a gente sabe que as pessoas mais afetadas são aquelas que vivem em regiões periféricas. Existe uma dificuldade de transparência e acesso a dados que racializem essa análise sobre os impactos, o que dificulta saber sobre essas pessoas.”

Segundo ela, quando existe um estudo de impacto sobre o local, com a escuta dos relatos de pessoas que vivem nos territórios atingidos, é possível observar que as pessoas mais afetadas são as pessoas negras. Além disso, nas áreas com populações tradicionais como os quilombos, aldeias indígenas e reservas extrativistas existe uma subnotificação dos dados e poucos estudos aprofundando o tema. Karina também coloca que essa discriminação pode ser regional, pois quando acontece no Norte e Nordeste, regiões onde a população negra é maioria, não existe tanta comoção e visibilidade como em outras regiões do país. A falta de mobilização por essa causa reflete a discriminação e naturalização desse racismo.

Nos centros urbanos também é possível perceber essa diferença dos impactos ambientais; em casos de alagamento e deslizamento de encostas causados pelo grande volume de chuva, as favelas e bairros periféricos que possuem a população majoritariamente negra, sempre são afetados de forma mais grave. A falta de saneamento básico e outros direitos que são negados a essa população dificulta ainda mais o enfrentamento da crise climática nesses territórios.

Karina também aponta que existe um descaso público em relação ao planejamento específico de obras para redução dos riscos e formas de adaptação para a proteção dessas populações. O poder público tem o conhecimento que determinadas regiões estão mais vulneráveis à eventos extremos, como a elevação do nível do mar, as cheias dos rios, as estiagens, mas ainda não existe uma ação pública que atue prontamente no auxílio e suporte às famílias impactadas.

O racismo ambiental também é um termo utilizado para identificar desigualdades raciais no acesso à justiça ambiental. Essa categoria abarca além dos eventos climáticos, os crimes ambientais, como foi o caso de Mariana (2) e de outras barragens de mineradoras (3). A importância de se trazer o tema do racismo climático é aproximar a questão racial para o debate das mudanças climáticas que sempre foi abordado de forma técnica e pouco social. Na COP 26, que aconteceu em novembro de 2021, houve um avanço nessa discussão com a participação da Coalizão Negra por Direitos que ressaltou a titulação de terras quilombolas como uma política de desmatamento zero e de controle do aquecimento global (4).

Cada vez mais o racismo climático está ficando em evidência, mas temos um grande trabalho de pautar essas injustiças nos ambientes que ocupamos. Precisamos comunicar e circular mais informações sobre essa abordagem que reivindica que a garantia do direito ao meio ambiente saudável para todos os cidadãos seja respeitado, e não só para aqueles que historicamente possuem privilégios e alto poder aquisitivo.

 Julia Rossi – pesquisadora do Fé no Clima

1 – https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/racismo-ambiental-comunidades-negras-e-pobres-sao-mais-afetadas-por-crise-climatica/#cover

2 – http://www.global.org.br/blog/racismo-ambiental-no-desastre-em-mariana/

3 – https://racismoambiental.net.br/2022/01/28/ultimo-relatorio-de-seguranca-de-barragens-aponta-falta-fiscalizacao-e-informacoes-basicas-sobre-os-riscos-da-maior-parte-das-barragens-brasileiras/

4 – https://coalizaonegrapordireitos.org.br/category/cop26/

Mãe Beata, a força das águas!

Mãe Beata de Iyemonjá, filha da orixá das águas, aquela cujo o nome significa “Mãe cujo os filhos são peixes”, cardume de diversidades e superações. É neste sentido que irei trazer algumas palavras que deem sentido a representação de minha mãe biológica e desta líder religiosa de matriz e motriz africana, que sempre se preocupou para além de seu povo originário afrobrasileiro e seus meios ambientes.

O seu legado até os dias de hoje, é seguido pelos seus descendentes biológicos, tanto quanto pelos diversos filhos e filhas que compõem sua comunidade de terreiro, o Ile Axé Omiojuaro, que se situa na Baixada Fluminense, no município de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Comunidade esta que sempre impulsionada pela força de Mãe Beata e Iyemonjá, segue como as correntezas dos mares em busca de novas formas de solucionar os problemas desta sociedade que teima por uma ótica consumista e capitalista, que acredita que os recursos naturais do planeta são infinitos, não observando os sinais da natureza frente a estas violações e violência destrutiva ao meio ambiente.

Esta mulher negra, nordestina, de baixa estatura e muita potência matriarcal, nos legou com suas percepções de mundo, sabedorias diversas seja com sua atuação política, religiosa, cultural e ecológica propondo novas percepções de mundo integralizador e empático, lutando e se perpetuando em nossas vidas e mentes enquanto uma grande ancestral, onde seus ensinamentos nos servem como bússola a ser seguida.

Seus ensinamentos que vieram das águas nos inspiram que para além da Fé é preciso que nos posicionemos na proteção do meio ambiente, preservando e justificando a nossa relação de integralidade entre ser e meio, pois não há como cultuarmos nossos orixás sem termos uma ação efetiva de respeito e parceria com o planeta terra (Aiye). Sem uma natureza saudável, não somente os seres humanos e não humanos estarão fadados a extinção com a poluição do meio ambiente, bem como as divindades da natureza estarão apartadas desta conectividade que acreditamos serem a justificação de perceber a importância destas mesmas divindades na rede de sustentação da fauna e flora do planeta.

Assim como as águas, Mãe Beata era a fonte que não se deixava esgotar, sempre à frente de seu tempo, ela conseguia ser terna e doce, mas uma maremoto ao defender o seu cardume diverso, as pessoas e seus direitos. Filha de Iyemonja, era uma mãe incondicional, que encontrava virtudes nos seres humanos, acreditando que tinhamos de manter a solidariedade à todos indistintamente.

Não acreditava em uma igualdade universal, mas acreditava em uma igualdade de direitos que tinha que ser globalizada, já que os mares de iyemonjá encontravam todos os continentes. Portanto, segundo ela, Iyemonjá era a mãe de todos os povos, não fazendo distinção de credo, raça, orientação seja ela qual fosse. Assim era e é mãe Beata para nós, esta mulher que se tornou referência não somente para os povos negros, mas para a humanidade enquanto personalidade de superações à vida e suas adversidades.

É neste sentido que eu, enquanto seu sucessor frente a sua cadeira do Ile Axé Omiojuaro, sigo o seu legado das águas, buscando uma sociedade equânime e harmônica.

Iyemonjá é sua mãe e nos deu esta mãe chamada Beata, Beatriz, Iya!
Odoiya

Adailton Moreira Costa
Filho de Beata das águas
Babalorixá do Ile Omiojuaro

A enchentes no brasil e o papel da sociedade e comunidades fé no enfrentamento da crise climática

O ano de 2021 terminou com tragédias causadas pelas chuvas que continuam nesse começo do mês de janeiro, quando milhares de famílias pelo Brasil foram afetadas em diferentes municípios dos estados da Bahia [1], Minas Gerais [2], Tocantins [3] , Acre [4] e Maranhão[5]. Esses eventos extremos decorrentes do grande volume de chuvas são cada vez mais frequentes [6] em função do aquecimento na temperatura do planeta e são sentidos com mais intensidade no período de verão.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem da BBC [7], “há pelo menos três fatores que podem ser associados à alta intensidade das chuvas recentes na Bahia: o La Niña, a depressão subtropical e o aquecimento global.” Tanto a La Ninã como a depressão subtropical são fenômenos naturais que interferem no regime e volume das chuvas como ciclones e ventos com alta intensidade. Já o aquecimento global, como sabemos, é um fenômeno causado pelas atividades humanas que emitem gases de efeito estufa, de acordo com o  Relatório Internacional sobre as Mudanças Climáticas (IPPC)[8].

Os impactos dessas mudanças no clima têm efeito direto nas populações que vivem em áreas de risco. A pesquisadora e ativista Aíla[9], de Itabuna (BA), afirma que as enchentes na Bahia são eventos que se repetem por todo país, e segundo ela, isso envolve a falta de planejamento urbano que refletiu na construção das cidades brasileiras à margem de grandes rios. O volume de água dos rios que cortam as cidades aumenta e invade as cidades. Ela conta que o Rio de Itabuna subiu uma altura de 10 metros.

Durante esses desastres foram fundamentais as ações comunitárias para dar assistência às famílias atingidas pelas enchentes e que perderam seus bens nas enchentes. Aíla se reuniu com outras pessoas para angariar doações e conseguir comprar absorvente e calcinhas, pois a saúde da mulher fica esquecida diante de tantas outras necessidades emergentes. Segundo ela, “a sociedade civil foi a protagonista na ajuda para pessoas afetadas em todas as esferas. As campanhas de arrecadação de mantimentos, roupas, itens de higiene e etc, foram desenvolvidas pela própria comunidade. A própria comunidade que se engajou enquanto o poder público se colocou em uma posição de pensar o que seria feito no pós desastre e como direcionar esses recursos recebidos pela prefeitura para o restabelecimento de famílias desabrigadas.”

Bispos de dioceses atingidas pelas enchentes no sul da Bahia participaram de ações solidárias para o enfrentamento dessas situações de calamidade. Para além do acolhimento e socorro prestado, a Igreja tem alimentado a esperança e a fé das pessoas atingidas por esta catástrofe [10].

A jovem ativista Hamangaí [11] Pataxó HãHãHãe, que também mora no sul da Bahia, conta como seu povo lida com esses eventos climáticos:

“Antigamente os mais velhos aqui da minha aldeia tinham o entendimento que com os territórios demarcados os problemas iria acabar e viver mais tranquilos. Agora a gente entra em um contexto de crise hídrica cada vez mais intensa, fruto de ações de antigos fazendeiros aqui da região com a agropecuária e a produção de cacau. Temos feito um trabalho de “formiguinha” de reflorestamento, fortalecendo o trabalho da educação ambiental e trazendo as árvores nativas para “plantar água”, pois vamos plantando nas beiras das nascentes e nos leitos dos rios.”

Segundo ela, o território pataxó HãHãHãe tem muita dificuldade de acesso à água potável, um direito básico que é negado, assim como a educação e a saúde indígena, e outras formas de extinguir os direitos dos indígenas como a PL 490, o marco temporal. Hamangaí explica “por isso a importância de que a sociedade civil esteja articulada, unida e consciente desse trabalho em rede que deve ser feito para pressionar o governo a cumprir o que está na Constituição Federal e tomar medidas emergenciais nesse contexto de crise.”

Hamangaí também comenta sobre as decisões políticas serem feitas a portas fechadas, acordos que são negociados sem ouvir de fato a população, quem está na base, dentro dos territórios mais afetados. Ela também aponta para a urgência de se discutir essas questões dentro da sala de aula, pautando a educação climática como um aprofundamento desse tema das mudanças climáticas.

Trouxemos aqui alguns exemplos de ações que têm sido construídas pela sociedade civil no Brasil, mas não podemos deixar de pontuar também a obrigação dos governos, em todas as suas esferas, de implementar políticas que protejam as populações mais impactadas pelas mudanças climáticas.

Notas de rodapé

[1] https://www.brasildefato.com.br/2021/12/28/entenda-o-que-esta-causando-as-chuvas-que-deixaram-o-sul-da-bahia-embaixo-d-agua

[2] https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/01/09/cidades-alagadas-regiao-metropolitana-de-bh-nova-lima.htm

[3] https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2022/01/03/escolas-e-igrejas-ficam-lotadas-apos-enchentes-deixarem-cerca-de-200-desabrigados-em-sao-miguel-do-to.ghtml

[4] https://g1.globo.com/ac/acre/natureza/amazonia/noticia/2021/12/17/la-nina-antecipa-chuvas-intensas-no-acre-e-cheias-acentuadas-podem-ser-registradas-em-2022.ghtml

[5] https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/fortes-chuvas-afligem-mais-de-mil-familias-no-maranhao/

[6] https://www.unicamp.br/unicamp/index.php/ju/noticias/2020/02/27/estreita-relacao-entre-mudancas-climaticas-e-o-aumento-de-eventos-extremos

[7] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59804297

[8] https://www.iser.org.br/noticia/fe-no-clima/ipcc-divulga-relatorio-e-chama-atencao-para-a-acao-humana-como-principal-causa-do-aquecimento-global/

[9] Pesquisadora sobre clima e juventude na UFBA, tem mestrado em Relações Internacionais e trabalha no Instituto Aika.

[10] https://www.cnbb.org.br/bispos-das-dioceses-atingidas-pelas-enchentes-no-sul-da-bahia-falam-do-papel-da-igreja-em-situacoes-de-calamidade/

[11] Articuladora nacional da associação de jovens Engajamundo, é estudante universitária do curso de medicina veterinária pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Fé pela justiça climática: uma ação global inter-religiosa


O movimento “Fé pela justiça climática: uma ação global interreligiosa”, organizado pela rede Greenfaith Internacional, está acontecendo nos dias 17 e 18 de Outubro, reunindo cerca de 450 ações em 43 países diferentes.

O Fé no Clima se soma a esse movimento com um manifesto simbólico de pessoas de fé para a proteção do clima e convidou parceiros de distintas espiritualidades para alimentar essa corrente que chama atenção para o enfrentamento da crise climática.

Confira aqui abaixo as lideranças religiosas que participaram dessa ação:

Hamangaí Pataxó HãHãHãe: Pertencente ao povo Pataxó HãHãHãe e Terena, articuladora nacional da associação de jovens Engajamundo e comunicadora indigena do Vozes da Floresta . Nasceu e se criou na aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu na Bahia. É estudante de medicina veterinária pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

@burgosrayana

Rayana Burgos: Umbandista, Cientista Política, Gerente de Captação no Instituto AzMina e Coordenadora do Hub do Youth Climate de Pernambuco. Atua com pesquisa e políticas públicas com foco em gênero, raça e clima.

@paulo73s

Paulo Ricardo Sampaio: animador Laudato Si’, membro do Capítulo Rio Grande do Norte do Movimento Laudato Si’, bacharel em Direito, educador social.

Géssica Dias: Assistente Social, Pós-graduada em Fé e Política, Membra do Movimento Renovar Nosso Mundo, Coordenadora do Projeto Rio Limpo, Cidade Saudável (Instituto Solidare). Assessora da Escola de Fé e Política Pe. Humberto Plummen e do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.

@emersomkk

Monge Emersom Karma Kontchog: É o lama responsável pelo centro budista Palpung Lekpung Nang (https://palpungsp.org). Ordenado como monge em 2013 por Tai Situ Rinpoche, no monastério Palpung Sherab Ling, na Índia, estudou filosofia budista e língua tibetana em comunidades tibetanas nos Himalayas até 2015, realizando depois o tradicional retiro de três anos para lamas.

Fé e ciência pelo clima

Nos dias 4 e 5 de outubro ocorreu no Vaticano o encontro ‘Fé e Ciência: Rumo à COP 26’, reunindo líderes religiosos e cientistas em torno de um apelo direcionado aos participantes da próxima Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 26) que vai ocorrer de 1 a 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia e terá a participação do Fé no Clima/ISER.  O evento no Vaticano foi organizado conjuntamente pela Santa Sé, Grã-Bretanha, anfitriã do evento da ONU, e a Itália, que atualmente lidera o Grupo dos 20.

O Papa Francisco e outras s representações religiosas (ortodoxa, islâmica, judaica, jainista, sikhi, protestante e evangélica) assinaram um documento que ressalta a importância do comprometimento dos governos com as metas para o clima já estabelecidas para evitar aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius. O texto aponta  que os países mais responsáveis ​​pelas emissões de gases de efeito estufa devem fornecer um “apoio financeiro substancial” às comunidades mais vulneráveis à crise climática. Além disso, os religiosos comprometeram-se a promover iniciativas educacionais e culturais visando desenvolver uma consciência ambiental que possa levar seus fiéis a terem estilos de vida mais sustentáveis.

Dentre os líderes convidados,  destaca-se a presença do único brasileiro e sul-americano, o  Bispo Abner Ferreira, evangélico pentecostal. Presidente da Assembleia de Deus, Ministério de Madureira, Bispo Abner tem mantido interlocução com o ISER em função da Iniciativa Fé no Clima. Em sua fala no evento ele afirmou que “o cristão não deve violar os mandamentos de Deus quanto à preservação das espécies por causa do progresso”. E concluiu citando seu pai, Bispo Primaz Manoel Ferreira que, comentando sobre os desafios da pandemia, defendeu: “Acima da ciência, só Deus”.

Essa interlocução rica entre fé e ciência para enfrentamento da crise climática tem sido uma ação contínua do ISER, especialmente nos últimos seis anos, com o programa Fé no Clima. Tal iniciativa tem contado com a participação de lideranças católicas, evangélicas, de matriz-africana, budista, indígena, judaica, muçulmana e outras.

Com ciência e fé, seguimos articulados pelo clima e o bem comum.

Para saber mais acesse o link.

Fé no Clima na All4Climate – Italy 2021

O Fé no Clima tem o prazer de divulgar que está na programação da  All4Climate – Italy 2021, a pré-COP 26!

A All4Climate é uma ampla programação de eventos sobre temas climáticos que está acontecendo na Itália este ano com o objetivo de fazer de 2021 um ano marcante para a ambição climática. Nossa mesa virtual: “Movimentos Religiosos Ambientalistas pelo Mundo”, acontecerá amanhã (01/10), sexta-feira, às 10h (BRT) e contará com a participação de Meryne Warah (Quênia), Nana Firman (Indonesia), Igor Bastos e Raquel Arouca (Brasil), sob a mediação de Moema Salgado. O evento terá transmissão ao vivo pelo Canal do Fé no Clima, no YouTube.

Fé no Clima no CEAT

A Iniciativa Fé no Clima marcou presença na atividade “Aulas para mudar o mundo 2021” realizada pelo Centro Educacional Anísio Teixeira – CEAT. O evento, que teve como tema “Do saneamento básico às mudanças climáticas, a luta pelo Meio Ambiente de cada um”, foi também uma ação em apoio às Greves pelo Clima, organizadas pelo movimento internacional Fridays For Future.

Na roda de diálogo, além de Sharah Luciano, que representou o Fé no Clima, estavam também: Vitória Alentejano, ex-Aluna do CEAT e estudante do curso de Relações Internacionais, Marina Aguião, ativista do Fridays For Future, Wellington Santos, músico e motorista de aplicativo nos EUA e Alexandre Pessoa, pesquisador e professor da EPSJV-FIOCRUZ.

Os debatedores trouxeram perspectivas no âmbito comunitário, nacional e internacional sobre as mudanças climáticas e sobre possíveis caminhos de ação. Numa conversa bastante dinâmica, foi abordado a necessidade de que as ações de enfrentamento à crise climática sejam coletivas, envolvendo diferentes grupos sociais. Além disso, os convidados expuseram que as lentes de análise sobre o tema precisam manter uma perspectiva crítica. Principalmente, quando se analisa as desigualdades de responsabilização entre o norte e o sul global.

Marina Aguião iniciou a fala, apresentando o histórico do movimento Fridays For Future e sua atuação aqui no Brasil.

Vitória Alentejano foi a segunda a partilhar e começou falando da Greve pelo Clima, e sobre a importância de seu tema neste ano: “Descolonizar o Sistema”. Vitória falou do último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e apresentou dados relativos à emissão desproporcional de CO² pelos países e à variação de temperatura nos últimos dois mil anos.

Em seguida foi a vez de Sharah Luciano, que apresentou o Fé no Clima, e falou sobre o histórico de atuação do ISER com a pauta climática e suas conexões com a fé.

Wellington falou sobre a sua experiência, enquanto imigrante, num dos países que possui maior responsabilidade pela crise climática, sendo o maior emissor de CO², o Estados Unidas da América. Wellington ressaltou que precisamos nos comunicar melhor com as pessoas sobre as mudanças climáticas, aproximando o tema do dia-a-dia.

Por último, Alexandre Pessoa, frisou a gravidade da crise hídrica, que já estamos enfrentando, porém que será cada vez mais acentuada. Também falou sobre a importância do acesso à saneamento básico.

Fé no Clima na: #ClimateWeekNYC2021

Acontece essa semana a Semana do Clima de Nova Iorque 2021, que tem como tema central os compromissos assumidos por empresas, governos e organizações em prol do clima. Organizada anualmente pelo Climate Group em conjunto com a ONU e em parceria com a COP26 e a cidade de Nova York, a Climate Week NYC é uma oportunidade global de se reunir para trocar ideias, acelerar a ação climática e avaliar o progresso feito até agora.

O Fé no Clima participa desta edição da Climate Week com o debate: “Fé e ação climática: diálogos pela sustentabilidade de cidades e florestas”.

Para conversar sobre as conexões entre cidades e florestas e entre espiritualidades e ciência na construção de um mundo sustentável, teremos a participação de Hamangaí Pataxó HãHãHãe, Mametu Nangetu, Marcelo Rocha e Pedro Ribeiro, com a mediação da Julia Rossi.

Participe!

📅 Quinta-feira, 23/09, 18h BRT (17h NYT)

👉 Defina um lembrete para não esquecer e acompanhe pelo link que está na bio! (https://youtu.be/uTir8gvSIX4)

#ClimateWeekNY #FénoClima #Mudanças Climáticas #Fé #Religião

Live – Elas pelo Clima: mulheres e suas espiritualidades pela ação climática

Para entender os efeitos das mudanças climáticas é fundamental termos um olhar para a vida das mulheres em suas diferentes realidades.

A ONU Mulheres , Cepal e a Fundação Friedrich Ebert já ressaltaram no relatório sobre gênero, mudanças climáticas e sustentabilidade a importância de superar os desafios estruturais que envolvem as emergências climáticas, já que as mulheres são as mais afetadas nos seus mais diversos contextos e realidades, principalmente as mulheres negras, indígenas, agricultoras, quilombolas e ribeirinhas.

As igrejas, terreiros e outros espaços de fé são centrais na socialização de muitas mulheres desde a infância e se tornaram berços de movimentos sociais importantes.

Qual a importância do papel das mulheres para ação climática? Como suas religiões e espiritualidades contribuem com essa luta?
Nesta quarta feira 15/09 às 18h, teremos mais uma live do Fé no Clima e desta vez relacionando os temas sobre mudanças climáticas, gênero e espiritualidades!

Venha participar do encontro “Elas pelo Clima: mulheres e suas espiritualidades pela ação climática.”