Matéria

Posicionamento da Rede de Fé por Justiça Climática sobre a Conferência “Transição para longe dos combustíveis fósseis”

POSICIONAMENTO DA REDE DE FÉ PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA SOBRE A CONFERÊNCIA “TRANSIÇÃO PARA LONGE DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS” EM SANTA MARTA, COLÔMBIA, ABRIL  2026

Como Rede de Fé pela Justiça Climática; Abya Yala América Latina e Caribe, manifestamo-nos, inspirados por uma visão profética e de esperança, diante da Primeira Conferência para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, Colômbia, em abril de 2026, afirmando 7 passos fundamentais para tornar essa Transição possível.

  1.  Além de focar no “o quê” e no “como”, é necessário perguntar “para quem” e “com quem” está sendo feita uma transição justa. Isso exige a incorporação das vozes das comunidades afetadas pelo modelo extrativista: povos indígenas, camponeses e afrodescendentes em Abya Yala, na América Latina e no Caribe. Uma transição justa coloca no centro as vítimas e sobreviventes do sistema dominante, aqueles que viram seus territórios desapropriados; rios, montanhas e ecossistemas roubados de sua vitalidade.
  2.  Para além das políticas baseadas na lógica utilitarista, como as que enfatizam a redução das emissões, os custos e benefícios econômicos e os mercados de carbono, ou a transição energética “verde” que ignora a saúde e a biodiversidade, uma transição justa prioriza a vida nestes territórios de forma imediata. Por conseguinte, exigimos avaliações participativas obrigatórias da demanda energética dos impactos socioecológicos antes da aprovação de projetos, bem como a aplicação de salvaguardas vinculativas, incluindo a suspensão do financiamento e das licenças em casos de risco de expropriação, para garantir a prevenção de danos, a restituição e a reparação.
  3.  Para além das soluções baseadas na ciência ocidental universalista e das propostas do setor tecnológico, onde os sistemas de conhecimento ancestral são vistos como “apenas complementares”, uma transição justa exige a paridade epistemológica dos saberes tradicionais, das cosmovisões e cosmovivências indígenas, das espiritualidades e das culturas de cuidado, como fontes legítimas e vinculantes para a tomada de decisões climáticas.
  4.  Para além das estruturas de governança do Estado e do Mercado que apenas permitem a participação simbólica dos territórios e reproduzem os desequilíbrios económicos e políticos, uma transição justa exige soluções baseadas nos territórios e nas culturas, a partir de uma governança comunitária que parta de direitos coletivos como a autodeterminação, o consentimento livre, prévio e informado, e o poder de decisão vinculante dos povos, apoiado por procedimentos públicos de monitoramento participativo, medidas provisórias e sanções por descumprimento.
  5.  Para além de uma transição instrumental, em que um recurso é utilizado para extrair outro, a fim de manter o mesmo modelo energético e econômico de consumo, uma transição justa exige uma transformação estrutural socioecológica e econômica do próprio sistema, que questione criticamente um estilo de vida luxuoso e reconheça a dívida histórica e as obrigações de reparação e restituição dos países do Norte, admitindo a insustentabilidade fundamental do sistema capitalista financeiro sustentado por pequenos grupos empresariais, pelo extrativismo e pelo armamento.
  6.  Para além de uma mera transição energética, em que o monitoramento dos processos não é transparente, propomos uma transição integral e duradoura, centrada na agroecologia, na soberania alimentar, na gestão florestal local, na restauração comunitária, nas economias locais e solidárias e em políticas energéticas com foco social, onde as comunidades e os direitos da natureza têm prioridade sobre os lucros das empresas.
  7.  Por fim, como comunidades de fé e instituições religiosas, comprometemo-nos a transformar nossas narrativas religiosas e éticas, transcendendo visões antropocêntricas e posições hierárquicas. Continuaremos trabalhando para promover uma ética de relacionalidade e uma ecoespiritualidade que celebre a sacralidade da vida na Terra, a reconciliação entre as religiões e o fortalecimento de iniciativas comunitárias e direitos coletivos, contribuindo para uma transição integral, solidária e popular. Uma transição para além dos combustíveis fósseis, para que nossos territórios e comunidades possam desfrutar de uma vida em abundância.

 

Projetos | Boto fé no clima – 2023

Boto Fé no Clima é uma formação, oferecida pela Iniciativa Fé no Clima, do ISER – Instituto de Estudos da Religião, que articula conhecimentos acerca da crise climática, da conexão entre fé e meio ambiente, comunicação e mobilização para o enfrentamento à emergência climática.

O ano de 2023 foi um marco significativo na área de Meio Ambiente do ISER com a realização da 1ª edição do Boto Fé no Clima, iniciativa voltada para jovens de 18 a 35 anos que une fé, religião ou espiritualidade ao interesse pelas questões socioambientais.

Durante quatro meses, entre julho e outubro, um grupo diversificado e engajado de 55 jovens mergulhou em reflexões e práticas voltadas para a comunicação e mobilização, capacitando-se para enfrentar a emergência
climática a partir de suas identidades religiosas. Os participantes receberam auxílios mensais durante a formação, que contou com a participação de 35 facilitadoras/es diferentes tanto no perfil de atuação na questão ambiental quanto em suas matrizes religiosas.

O Boto Fé no Clima: juventudes de fé e ação climática é uma formação, oferecida pela Iniciativa Fé no Clima, do ISER – Instituto de Estudos da Religião. Ela articula conhecimentos acerca da emergência climática, da conexão entre fés e espiritualidades e meio ambiente, comunicação e mobilização para o enfrentamento à emergência climática e é voltada para o engajamento de grupos de fé.

Desde 2023, temos oferecido 1 chamada aberta anual para formação de nossas turmas. Ao longo destes 3 anos foram formadas 159 pessoas com perfil racial, de gênero e regional diverso. Ao todo, foram realizados pelas pessoas participantes 103 projetos finais que uniram a temática ambiental e climática à da fé/espiritualidade, em diferentes formatos de execução:

  • Atividades presenciais nas comunidade de fé (como rodas de conversa / palestras)
  • Artigos e textos
  • Episódios de podcast
  • Mutirões de limpeza em áreas públicas
  • Instauração de projetos permanentes nas comunidades de fé (como pastorais ambientais e climática, eco-pontos)
  • Posts e vídeos nas rede sociais
  • Mini-documentários
  • Caminhada ecológica
  • Formações entre outros.

A formação tem sido dividida em três módulos. O primeiro foca em conceitos iniciais sobre a emergência climática. O segundo explora as possibilidades de interseção entre espiritualidade e meio ambiente, dividindo os alunos em grupos para aprofundar as especificidades de cada religião. O último módulo aborda a comunicação e mobilização para incidência, direcionando os participantes para a elaboração e implementação de projetos finais.

Conheça algumas as ações que são casos exemplares do impacto positivo gerado pela formação, capacitando jovens a agirem como agentes de mudança em suas comunidades, conectando fé e responsabilidade ambiental:


Região Norte

Projeto: “Plantação de jenipapo e urucum: pinturas corporais indígenas são marcas de identidade”

Resumo: Realização do plantio de jenipapo e urucum (que serão usados posteriormente nas pinturas corporais da comunidade) na Aldeia Indígena Gavião Akrãtikatêjê da Montanha e diálogo com os jovens durante as atividades de plantação sobre a importância de cuidar e preservar o meio ambiente.
Local: Bom Jesus do Tocantins /Pará

Pessoa responsável: Rotokwyi Airomkenti

Projeto: Vídeo- entrevista com Padre Paulo Tássio sobre a conexão entre fé e clima realizado durante o Círio de Nazaré de 2023

Resumo: Vídeo entrevista com liderança religiosa abordando a dimensão do dever pelo cuidado com o meio ambiente e relação com as questões climáticas sob a perspectiva da fé católica.

Estado: Muaná / Pará
Pessoa responsável: Valdinei Barbora Acesso:https://www.instagram.com/reel/Cy6E0AiLN

A2/?igshid=MTc4MmM1YmI2Ng%3D%3D

Projeto:  Pachamama Cast

Resumo: Série de podcast com 3 episódios, abordando a percepção de pessoas cristãs evangélicas, católicas e de matriz africana sobre a atuação dos seus respectivos espaços religiosos com relação a defesa do meio ambiente e a crise climática. 

Local: Santarém / Pará
Pessoas responsáveis: Daniela Pantoja, Jéssica Santos e Liege Costa.
Acesso em:  Católicos, Evangélicos e Matriz Africana.    

Projeto: Encontro com Jovens em Anã

Resumo:  Encontro sobre fé e meio ambiente com jovens da comunidade de Anã

Estado:
Santarém /Pará
Pessoa responsável: Elizana dos Santos

 

Projeto: Na minha terra tem

Resumo: Vídeo para difusão em comunidades de fé e  redes sociais sobre a relação entre a religião “O Tambor de Mina e as questões climáticas”
Local: São Luís / Maranhão

Pessoas responsáveis: Erickson Lima de Carvalho e  Wanderson Santos Pereira

Projeto: “Respeito as religiões e a proteção aos povos indígenas”.

Resumo: Live no Instagram sobre “Respeito as religiões e a proteção aos povos indígenas”.

Local: Acre
Pessoa responsável:
Mayara Alves

Projeto: Roda de conversa sobre clima

Resumo: Plenária sobre Fé, mudanças climáticas e os impactos da mineração na vida das mulheres.

Local: Comunidade Santa Rita de Cássia Miri, município de Juruti, Pará.
Pessoa Responsável: Renner Rabelo


Região Nordeste

Projeto: Ecocélula Dunamis

Resumo: Encontro da Célula de Oração Dunamis, da Igreja Angelim, refletindo sobre a temática ambiental
Local
: São Luís, Maranhão.
Pessoa responsável: Stefany Sodré 

Projeto: Conferência O que pode Brotar das Ruínas?

Resumo: Conferência sobre Fé, Justiça e Cuidado Socioambiental, na Igreja Batista do Pinheiro, Igreja localizada num dos bairros de Maceió fortemente afetados pelo crime ambiental da Braskem. Um dos objetivos da conferência foi instaurar pastoral ambiental na comunidade.

Local: Maceió – Alagoas | Pessoa responsável: Andréa Laís

Projeto: Encontros sobre Fé e Clima com adolescentes da Igreja  Batista de Coqueiral 

Resumo: 2 encontros com os adolescentes da Igreja Batista em Coqueiral para discutir sobre fé e meio ambiente. Local: Recife / Pernambuco

Pessoa responsável: Dáleth Melissa

Projeto: Brasil de Axé

Resumo: Entrevista com a liderança religiosa de Matriz Africana, Mametu Nangetu, com o objetivo de desmistificar o preconceito contra as religiões afro-indígenas e apresentar a riqueza ecológica e cultural do país. 
Local
: Recife / Pernambuco
Pessoa responsável: Darling Lima Santos

Acesso em: https://www.instagram.com/p/C4Rqq

fdr_D3/?igsh=Znl4cGZxc3hhNGg4

Projeto: Pés no mangue, fé no reino: diálogos socioambientais e fé.

Resumo: Culto de oração sobre a interseção entre questões socioambientais e fé
Local: Igreja Semente / Aracajú – Sergipe
Pessoa responsável: Thomás Cardoso

Projeto: Pés no mangue, fé no reino: diálogos socioambientais e fé.

Resumo: Formação Interna sobre a temática ambiental com a comunidade religiosa + Encontro de formação: cartografias da esperança: meio ambiente e evangelho vivo.

Local: Igreja Semente / Aracajú – Sergipe | Pessoa responsável: Thomás Cardoso

Projeto: Cultivar e cuidar: Deus nos deu uma missão!

Resumo: Realização de oficina sobre fé, justiça climática e racismo ambiental aberta à comunidade da Favela do Jacaré, em Paulista / PE.
Local: Favela do Jacaré, Paulista / PE
Pessoa responsável: Débora Paixão /

Projeto: Católico Verde

Resumo: Criação e produção de conteúdo sobre fé e questões ambientais / climáticas no perfil “Católico Verde” na rede social TikTok 
Local: Recife / PE

Pessoa responsável: Inácio Galindo

Projeto: Roda de Conversa sobre Fé e Meio ambiente

Resumo: Roda de conversa  sobre fé e meio ambiente  na Casa de Umbanda Teresa Légua e Baiano Grande

Local: Teresina – Piauí
Pessoa responsável: Thi Santos

Projeto: Texto sobre a responsabilidade dos membros das religiões de Matriz Africana com as questões ambientais

Local: Serrano do Maranhão/ Maranhão
Pessoa responsável: Luana Vilela

 


Região Sudeste

Projeto: Artigo –  Da Teologia da Libertação à Ecoteologia

Resumo: O objetivo do artigo é analisar criticamente a epistemologia da Ecoteologia latino americana, focando no teólogo  Leonardo Boff.

Local: São Paulo  Pessoa responsável: André Castro

Acesso: Da Teologia da Libertação à Ecoteologia – Revista Zelota

Projeto: Crise climática e a Igreja
Resumo: Roda de Conversa com reflexões sobre crise climática e a igreja com vistas a posterior fundação da pastoral ambiental na Igreja Local  
Local: Rio de Janeiro
Pessoa responsável: Lucas Santos

Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=mnS3XaQ-w3A

Projeto: Entrevista – Crise socioambiental e climática

Resumo:  Entrevista com o Arcebispo Dom Luiz Fernando Lisboa da diocese de Cachoeiro do Itapemirim sobre a crise socioambiental e climática

Local: Bom Jesus / Espírito Santo
Pessoa responsável: Júlio César de Paula Ribeiro
Acesso em: tps://fenoclima.org.br/crise-socioambiental

-e-climatica-entrevista-com-dom-luiz-fernan

do-lisboa/

Projeto: Artigo –  Teologia do Naufrágio: a voz que ecoa no porão do navio.

Resumo: Reflexões sobre teologia e ecologia através da aproximação conceitual da metáfora de Ferdinand sobre o navio negreiro e o naufrágio do apóstolo Paulo.
Local: São Paulo / SP
Pessoa responsável: Walter Pinheiro

Acesso em: https://fenoclima.org.br/teologia-do-naufragio-a-voz-que-ecoa-

no-porao-do-navio/

Projeto: Fé e Ciência

Resumo: Roda de conversa com jovens sobre a possibilidade de fé e ciência caminharem juntas. Reflexões sobre mudanças climáticas, vivências no espaço da universidade e nos espaços de fé.

Local: Rio de Janeiro/RJ | Pessoa responsável: Renata Clemente

Projeto: Retomada do Capítulo local da iniciativa internacional “Dom Bosco Green Alliance”

Resumo: Local: São Paulo

Pessoa responsável: Amós Santiago

Projeto: Apresentação do trabalho acadêmico “Cuidado da ‘Casa Comum’ e a urgência da Justiça Climática à Luz dos princípios da Economia de Francisco e Clara” no 4° Congresso de Educação Social e Gestão do Terceiro Setor

Resumo: O artigo tem por objetivo fomentar reflexões e ações associadas à transição ecológica e ao cuidado com a Casa Comum através de campanhas, educação ambiental e reflexões sobre eco-espiritualidade.

Local: São Paulo | SP Pessoa responsável: Amós Santiago

Projeto: Povo de Axé pelo Clima

Resumo: Instauração de composteira na comunidade religiosa Casa do Perdão Local: Seropédica – Rio de Janeiro

Pessoas responsáveis: Júlia Dias, Marcelli Alexandrino e Gabriela Chaves

Projeto: Clima de Axé

Resumo: Criação de uma rede social para difusão de conteúdos sobre a crise climática e os povos de terreiro (@clima.de.axe).
Local: Seropédica – Rio de Janeiro

Pessoas responsáveis: Júlia Dias, Marcelli Alexandrino e Gabriela Chaves

Projeto: Palestra sobre a relação entre Fé e meio ambiente

Resumo: Palestra sobre a relação entre Fé e Meio ambiente realizada durante o encerramento de curso na Fiocruz de Manguinhos / RJ

Estado: Manguinhos – Rio de Janeiro

Pessoa responsável: Ianoy Rayane

Projeto: Fé que abraça a Vida

 Resumo: 2 Pregações sobre Fé e Meio ambiente em Comunidade Evangélica de SP da Igreja Presbiteriana Independente
Local: Jundiaí – São Paulo | Pessoa responsável: Fernanda Araújo

Acesso em: 1° pregação, 2° pregação  

Projeto: Projeto  Mbunze

Resumo: Roda de conversa sobre fé e crise climática e oficina de sabão com óleo de cozinha reaproveitado.

Local: Pinheiral / RJ
Pessoa responsável: Fabrício Malheiros e Nildamara Torres

Projeto: Pesquisa sobre a relação entre fé e natureza

Resumo: Pesquisa realizada na I Igreja Batista de Mesquita  sobre as percepções da igreja sobre a relação entre Fé e Meio Ambiente

Local: Mesquita / RJ | Pessoa responsável: Robertha Oliveira

Projeto: Vídeo sobre sustentabilidade ambiental no Ilê
Resumo: Vídeo sobre a incorporação de elementos e ações mais sustentáveis na liturgia do candomblé e nas funções dentro do Ilê.

Local: Duque de Caxias/RJ
Pessoa Responsável:  Juliana Passos e Márcio Jr.

Acesso em: https://www.instagram.com/p/CzWonFsARFT/

Projeto: Esperançar com amigos

Resumo: Roda de conversa sobre fé e clima com amigos
Local: Capão Redondo / SP

Pessoa responsável: Eleni Santos

Projeto: Texto: Amazônia nossa, uma prece…

Resumo: Publicação nas redes sociais do texto: “Amazônia nossa, uma prece…
Texto: Amazônia Nossa. uma prece… | by Eleni Santos | Medium
Local: Capão Redondo / SP | Pessoa responsável: Eleni Santos

Projeto: O meio ambiente para o povo de Candomblé

Resumo: Entrevista com Babá Adailton Moreira D’Ogum sobre a importância da natureza para o povo de candomblé.
Local: Miguel Couto – Nova Iguaçu / RJ
Pessoa responsável:
Luiz Galli


Região Centro-Oeste
Projeto: Encontro “Louvar a Deus através do cuidado com a Sua criação”

Resumo: Encontro de sensibilização para o cuidado com a criação e casa comum na Comunidade Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos
Local: Cuiabá – Mato Grosso do Sul
Pessoas responsáveis: Bárbara Marthelly e Guilherme Nascimento

Projeto: Nós e a criação

 Resumo: Manual ecumênico para ações sustentáveis em comunidades cristãs
Local
: Goiânia – Goiás
Pessoas responsáveis: Gabriel Penha e Mariana Protásio


Região Sul
Projeto: Oficinas e palestras sobre legislações, acordos e decisões sobre clima

Resumo: O objetivo da metodologia (seja através de oficinas, palestras etc) é tornar acessível para a comunidade da aldeia, e principalmente, para os anciões, o conhecimento sobre as decisões, acordos e legislações  acerca da temática ambiental e de clima para que esse público possa não só estar informado sobre esses temas, mas também tenha ferramentas de incidir em espaços de decisão, como a COP, por exemplo.

Local: Aldeia Komag / Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Pessoa Responsável: Luana Kaingang

 

As juventudes estão ativas nas causas socioambientais

À medida que o agravamento da emergência climática avança e impacta diferentes áreas da vida, torna o senso de urgência de ação, principalmente de quem é diretamente afetado por ela, muito mais latente. É altamente perceptível que as coisas “não andam bem” e essa nova geração tem estado atenta a isto. Em 2022, a pesquisa nacional “Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, realizada pelo Em Movimento, Rede Conhecimento Social, Engajamundo e Instituto Ayíka, apontou que o meio ambiente está entre os três assuntos que mais interessam às juventudes brasileiras. Segundo a pesquisa, 81% dos jovens entrevistados concordam que as mudanças climáticas impactam na qualidade de vida e  62%  afirmaram que o meio ambiente afeta a religião ou filosofia de vida deles e delas. 

Essa percepção transborda para os espaços de fé

A noção de que os problemas ambientais afetam a vida das pessoas numa dimensão holística, com desdobramentos inclusive para esfera da espiritualidade ou religiosidade, é algo que já tem sido abordado pelos movimentos e organizações que trabalham com as temáticas de fé e meio ambiente há pelo menos 30 anos. No Brasil, um marco para essa interseção foi a realização da Vigília um Novo dia pela Terra. O evento inter-religioso, foi coorganizado pelo ISER e demais lideranças espirituais e religiosas em paralelo à ECO92, quando centenas de chefes de Estado se reuniram no Rio de Janeiro para tratar sobre meio ambiente e desenvolvimento. Nesses mais de 30 anos que separam 1992 dos dias atuais, a temática ambiental avançou no debate público, mas também dentro das comunidades religiosas. O Fé no Clima, iniciativa que nasce na área de Religião de Meio Ambiente do ISER, com a missão de reunir e engajar lideranças religiosas para conscientização de suas comunidades de fé no enfrentamento à crise climática, é um desses exemplos. Com o amadurecimento da Iniciativa e a consolidação das redes que se formaram em torno dela, foi possível perceber que, para além das lideranças religiosas, era importante olhar para as pessoas membros das comunidades de fé, em especial, as juventudes. Pois elas também têm interesse por “levar” não só o tema ambiental para as discussões dos seus espaços de fé, mas sob a forma de atividades e práticas que evoquem a sustentabilidade. 

As formações do Fé no Clima

Se por um lado a emergência climática coloca todas as pessoas em risco, não são todos os que estão fortemente engajados em resolver este problema. Apesar das transformações do clima estarem sendo amplamente sentidas, falta, de maneira geral, uma melhor compreensão sobre a problemática e, acima de tudo, o que e como fazer. Quando olhamos mais específicamente para os espaços de fé demanda-se uma ação mais cuidadosa, pois a linguagem que requer é  diferenciada: não é apenas o debate sobre os desafios ambientais, mas uma perspectiva que aponte fundamentações para o cuidado ambiental tanto científicas quanto com base na fé. Fomentar educação socioambiental e climática tem sido uma via frutífera e de conexão com esse público. Nos últimos anos o Fé no Clima tem aberto anualmente turmas regulares de formações. Nas aulas do Boto Fé no Clima: juventudes de fé e ação climática (BFC), ao longo de 2 meses e meio, os participantes aprendem sobre mudanças climáticas, a relação entre fé e meio ambiente, a partir de suas religiões/espiritualidades e comunicação e mobilização. Ao final dos processos formativos, recebem a missão de desenvolverem um projeto que relacione fé e meio ambiente, seja nas suas comunidades de fé, territórios ou para disseminação nas redes sociais. Além do BFC, foram realizadas formações com focos específicos, como o Boto Fé no Clima: adaptação climática e Boto Fé nas Águas: justiça climática e acesso a direitos. 

Pequenas ações: bases para transformações maiores

Mais do que aprenderem sobre a temática, o que essas experiências têm promovido é a oportunidade de transformar a teoria em algo concreto e palpável. Por todo o Brasil, em terreiros, centros, igrejas, aldeias, comunidades, territórios e pelas redes sociais,  rodas de conversa, reuniões, entrevistas, podcasts, vídeos, cineclubes, hortas e outros mais diversos formatos têm sido criados pelas juventudes que fazem o Boto Fé no Clima. Apesar de toda a diversidade no desenvolvimento dos projetos, eles têm algo em comum: falar de forma fácil, acessível e sensível sobre algo que já adentrou nas mentes e corações desses jovens: defender o meio ambiente, o clima e uma relação socioambiental equilibrada é também responsabilidade das pessoas de fé. No decorrer desses três anos, mais de 170 ações já foram realizadas nas cinco regiões do Brasil. Muito mais do que atividades pontuais, os projetos integralizados são ricas oportunidades de semear diálogos e práticas contínuas sobre a interseção entre a fé e o cuidado com a natureza. Como também alcançar mais pessoas que por outras vias não teriam acesso a esses debates. Além de criar um acervo rico de práticas que podem ser replicadas em outros momentos e contextos. E não finaliza aí, uma vez formados esses jovens passam a integrar a Rede de Juventudes do Fé no Clima.

O exemplo das vigílias 

Durante o ano de 2025 as Vigílias pela Terra, eventos inter-religiosos e culturais, co-realizados pelo ISER, regionalmente, e parte do percurso para a COP30 mostraram a força e engajamento dos jovens. Em todas elas tivemos jovens da Rede engajados no processo de preparação, mobilização e participação das vigílias. O que demonstra a vivacidade dessa Rede, a profundidade dessa conexão e a disposição ativa dessas juventudes em fazer ecoar essa mensagem de cuidado e responsabilidade ambiental. Este compromisso ultrapassa as paredes físicas dos templos, mas sim se expande e soma forças com aqueles e aquelas que mesmo de outras matrizes de fé vivenciam o mesmo propósito. 

O que aprendemos com isso?

Frear a emergência climática uma prioridade latente para a humanidade. Não é só a natureza que está ameaçada, é a segurança e possibilidade da existência da vida em suas infinitas formas. Portanto, uma tarefa que precisa ser compartilhada entre todos os setores, classes e gerações. Nos espaços religiosos e de fé, as juventudes têm um papel importante de promotores das pautas ambientais, bem como, de apoiarem suas lideranças nessa missão. O que tem ocorrido de forma muito potente e consistente. 

Sharah Luciano, coordenadora de formações do Fé no Clima

Do Éden até os dias de hoje: O papel dos filhos de Deus no cuidado com a criação

Do Éden até os dias de hoje: O papel dos filhos de Deus no cuidado com a criação

Esse e-book é resultado do projeto final do curso sobre Fé e Clima, do Instituto de Estudos da Religião (ISER), e tem por finalidade trazer uma breve reflexão de como a fé cristã está relacionada às questões ambientais e qual é o dever dos filhos de Deus dentro desse contexto. Espero que essa iniciativa desperte o interesse de comunidades de fé acerca do papel do homem no cuidado com o meio ambiente.

Leia o E-book completo!


Desenvolvido por:

Suellen de Oliveira Guimarães – Membra na Igreja Nova Vida Jardim Anhangá
Bióloga, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestra em Zoologia, Museu Nacional (MNRJ/UFRJ).

“Nós, de matriz africana, precisamos entender que sem erva e sem água, nós não temos nada.” – Entrevista com o Tat’etu Kavunjesi, do Inzo Unsaba Ionene.

Foto: Projeto Muilo

A ideia desta entrevista nasceu de uma parceria entre mim, Luiz Lopes e meu pai pequeno, Tat’etu Kavunjesi, como trabalho final do curso Boto Fé no Clima, promovido pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), em 2025. Portanto, movido pelas trocas experiências entre os participantes de diferentes tradições religiosas, convidei o Tat’etu Kavunjesi, liderança do Inzo Unsaba Ionene, o primeiro terreiro de candomblé da cidade de Pinheiral, para um diálogo sobre como essa comunidade de matriz africana enfrenta e compreende os desafios impostos pelas transformações do clima.

 


Pedro Paulo Nogueira, mais conhecido como Tat’etu Kavunjesi, é o zelador do primeiro terreiro de candomblé da cidade de Pinheiral, município localizado na região do Vale do Café, no Estado do Rio de Janeiro. Sua trajetória nesta religião começou ainda novo, sendo iniciado em 1973 para o nkisi Kavungo (orixá Obaluaê) e, atualmente, é filho de santo de Mam’etu Mabeji, do também tradicional terreiro Kupapa Unsaba, no bairro de Anchieta, na cidade do Rio de Janeiro. 

Fundado em 1979, o Inzo Unsaba Ionene nasceu com a missão de tocar umbanda. No ano seguinte, em 1980,  após o Tat’etu Kavunjesi concluir suas obrigações de santo, a casa também passou a se dedicar ao candomblé Congo-Angola, assumindo suas responsabilidades religiosas nesta tradição de matriz africana. 

Foto: Luiz Lopes


Confira a entrevista completa:

O que é ser pai de santo para o senhor? Qual o papel desta liderança religiosa dentro da comunidade e para o meio ambiente? 

É muito complicado falar o que é ser pai de santo para mim mesmo. Eu vejo o sacerdote como uma pessoa que acaba sendo um exemplo para muitas situações, para muitas pessoas, aquele porto seguro para outras tantas, aquele que tem que estar sempre sendo amigo, companheiro e mesmo pai (…). E aí eu acho que existe todo um processo coletivo nisso tudo. Eu sou porque nós somos. Se eu não tivesse filhos de santo, eu não seria pai de santo. Então, é todo um conjunto, né? Acabar suprindo a necessidade um do outro. Eu tento manter uma comunidade pensando sobre a natureza.

Nós, de matriz africana, precisamos entender que sem erva e sem água, nós não temos nada. Não temos condições de fazermos nada dentro do candomblé.

Então, eu sempre tento manter esse processo de não sujar o rio, não sujar as matas, cachoeiras, enfim, e automaticamente com o uso das ervas, cuidar das ervas, proteger as ervas, procurar conhecer também, que é fundamental, não é só proteger, mas conhecer também essas ervas, tanto para fins ritualísticos quanto para fins medicinais. 

Qual é a importância das ervas nos rituais? Como é esse vínculo com as plantas? 

Eu sempre fui muito atento às ervas. Então, aquele negócio de você estar dentro do candomblé, “erva tal é de tal Nkisi”. Então, eu sempre tive essa preocupação de aprender que ervas eram essas e, consequentemente, se eu conseguia a muda, eu trazia para a minha casa e trago até hoje (…) Eu tenho uma grande quantidade de ervas aqui, justamente por isso, por conseguir e tentar, e tento, tento, digo tento porque a gente nunca está na cabeça das pessoas, para que eles possam continuar cultivando isso. É um legado que nós temos que manter, as folhas. Então, eu tento que ele preste atenção, que cuide, que não corte, que não destrua aquilo que nós temos. Nós precisamos a todo momento das ervas, isso é fundamental.

 

Foto: Luiz Lopes

O que o senhor tem entendido em relação às mudanças climáticas? O terreiro já enfrentou algum impacto ambiental?

É uma situação em que, hoje, o que percebo é que as mudanças estão acontecendo muito bruscas. Nada está dentro do tempo. No meu tempo de muzenza (iaô), tinha algumas coisas que se falavam “de tal tempo, a gente planta tal erva”, “dá uma atenção a tal erva”, “existe o tempo de poda”, “existe o tempo de colher determinadas ervas, determinadas frutas”. E hoje a gente não vê mais isso. Tudo está acontecendo muito rápido e eu acho que o tempo está mudando muito rápido. Então você não percebe quando é o quê. Então essas mudanças estão acontecendo muito. E automaticamente as ervas estão sofrendo bastante devido às mudanças climáticas mesmo. 

Antigamente você tinha determinadas ervas o ano inteiro. E hoje já não tem. Fica muito frio, ela não aguenta. Ou fica muito calor, ela não aguenta.

Então, tudo isso acaba afetando a casa de candomblé, sabendo que a gente tem sempre ervas suficientes para poder suprir as necessidades da gente. Mas é uma coisa que acaba influenciando, porque você lança a mão daquela erva (…) a gente acaba sofrendo influência por isso também.

Já passei alguns pedacinhos aqui dentro com esse rio (Paraíba do Sul). Tem uma específica, teve uma enchente aqui que eu, dentro da sala de candomblé ali, eu entrei com água no peito. Então, essa daí não tem como negar, você vê tudo aquilo que você sempre lutou para manter, você vê aquilo tudo virar de perna para o ar, porque não tem como você fazer para a água não entrar.

                                          Salão do Inzo Unsaba Ionene.
Foto: Luiz Lopes

 

O senhor entende o terreiro como um espaço importante para a natureza existir?

Com certeza, com certeza. Eu ainda penso o seguinte, se os terreiros terminarem, isso tudo também vai junto. Ninguém tem cuidados com as ervas, (mas) tem cuidado com plantas ornamentais. Eu vejo muito isso. Às vezes você vai à floricultura, é planta ornamental para tudo quanto é lado. Então é isso que eles têm muito cuidado… as ervas elas acabam sendo colocadas como não tem necessidade disso. As pessoas não olham aquilo como necessário. E aí com certeza os terreiros vão ter que manter suas tradições, manter as ervas dentro do terreiro. Então é muito importante para a sociedade. 

Nkisi e natureza são duas coisas que se alinham. E não tem Nkisi sem natureza, nem tem natureza sem Nkisi. Então, a gente tem sempre que agradecer a todos os momentos, a gratidão à Nzambi por nos dar essa maravilha que é a natureza, seja de que forma que ela seja. 

Se a gente não acredita naquilo que professamos, não tem porquê estar aqui.

Então, se professamos o Nkisi, o Orixá, o Vodum, o nome que queira dar, nós temos que professar a natureza, respeitar a natureza a cada momento, respeitar a natureza com aquilo que ela tem para nos oferecer. E para entendermos, nós temos que realmente interagir com a natureza. Para entender uma coisa, você tem que interagir com aquilo. Então, aí você consegue, de uma certa forma, dentro dos terreiros, passar essa necessidade que nós temos de respeitar. Respeitar tudo e a todos, a começar pela natureza. Essa educação, do meu ponto de vista, é só dentro dos terreiros mesmo. Dificilmente fora você vai encontrar isso.

Após esse bate papo, o senhor deseja deixar uma mensagem final para os leitores e seus filhos de santo? 

A minha mensagem é simples, amar a natureza acima de qualquer coisa. Nós dependemos do ar, nós dependemos do fogo, da água, das folhas. 

Então, se nós não respeitarmos isso, nós estamos desrespeitando a nossa própria ancestralidade, nossos próprios Jinkisi. 

Então, amar a natureza é fundamental, desde uma pequena pedra até mesmo uma labareda de fogo que está acontecendo ali. Mas temos que ter esse respeito e, para mantermos esse respeito, a gente começa educando dentro da casa. “Não pode ir assim, não suje ali.” Porque, infelizmente, o ser humano não consegue imaginar que aquilo que ele está fazendo hoje vai repercutir amanhã. 

A natureza sempre devolve com sabedoria, que a natureza tem, àqueles que praticam mal contra ela. 

Então, a gente sempre pede para que haja mais atenção a isso, para que dê mais atenção a isso e olhe a religião de matriz africana não somente como religião, mas como uma cultura do país. O país hoje é o que é, agradeça aos povos de matriz africana que aqui chegaram e fizeram esse país, um grande país.

Foto: Luiz Lopes

 


Luiz Lopes é nascido e criado na periferia de Duque de Caxias, graduando em Ciências Sociais pela UFRJ e atua em comunicação e pesquisa em projetos e ONGs socioambientais do Estado do Rio de Janeiro, em especial na Baixada Fluminense. Trabalha com as temáticas de mudanças climáticas, comunidades tradicionais e mobilização ambiental.

Maria e o Jardim que Deus a confiou

“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.” (Gênesis 2:15)


Dona Maria não vive no Éden, mas vive num bairro brasileiro que também é jardim — ainda que coberto de asfalto, com sombras raras e córregos esquecidos.

Ela é a vizinha “gente boa” que conhece todos da rua, viu as mudanças no cenário do bairro nos últimos anos, mas ainda se lembra de como as ruas eram mais frescas e os dias menos sufocantes quando se mudou para lá, quando seu filho ainda tinha árvores para brincar e ela costumava sentar numa sombra para conversar na frente de casa. Hoje, mais uma vez a caminho da feira, Maria atravessava a rua só para andar alguns metros na sombra da última árvore que ainda resistia no bairro. Ela também se lembra da comemoração dos vizinhos quando o asfalto chegou na sua rua, porém hoje sabe que logo com ele vieram as enchentes que invadiram sua casa, pois a terra já não conseguia mais beber a água da chuva.

Cada vez mais, aquele lugar parece ainda mais longe de qualquer paraíso — mas foi ali mesmo que Deus a colocou. Não por acaso, Deus tem o hábito de plantar gente em lugares que precisam florescer.

No grupo de oração de sua igreja, as dores de sua comunidade começaram a se repetir: a enchente que levou os móveis de uma família; a criança com bronquite por causa da fumaça; a idosa que desmaiou com a onda de calor; o preço alto da feira porque o clima estragou a colheita. Eram pedidos distintos, mas todos tinham uma raiz comum: os efeitos de um planeta em desequilíbrio. O que os jornais chamam de crise climática não afeta só os outros países. A crise do clima visita a nossa rua, senta no banco da igreja e vira motivo de oração.

No pequeno grupo, os irmãos discutiam sobre a criação e como Deus ordenou ao primeiro casal que cuidasse e cultivasse o jardim. Porém, foi ouvindo o pastor falar sobre ser sal e luz do mundo, que Dona Maria entendeu que a fé que acende o seu coração também é capaz de iluminar os caminhos do jardim em que ela morava. Naquele momento, ela percebeu que cuidar da criação de Deus é um ato de adoração, de amor ao próximo e de resistência ao egoísmo dos tempos modernos, onde quer que ela estivesse.

Maria sabia que, antigamente, fé e natureza não se separavam. As chuvas, as plantações, o sol e o vento eram sinais da presença de Deus em tal comunidade. A Criação era um testemunho vivo da glória divina, como diz o Salmo:
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos…” (Salmos 19:1)

Entretanto, ela ainda não entendia como nós deixamos tudo de lado para estar no centro de tudo e resolvemos usar o mundo, sem cuidar dele. Extrair, consumir, jogar fora. Se algo não é útil ou bonito, é descartado. Poucos se lembram de que fomos chamados para dominar sem ganância, mas para cultivar com amor. Para guardar o que Deus nos confiou.

Ela se questionava sobre Deus ter nos criado à sua imagem e semelhança, criadores por natureza, não consumidores como somos chamados em certas propagandas por aí.

Ouvindo uma de suas vizinhas, que falava em uma possibilidade de mudança, Dona Maria constatou que todos sonham com um bairro melhor, mas poucos entendem que talvez Deus os tenha chamado para melhorar o bairro onde estão. E foi assim que ela mesma começou a observar o bairro com novos olhos.

Com as mesmas mãos que servem o café na recepção do culto, Dona Maria começou a plantar novas ideias: proteger as árvores que sobraram e plantar novas para sombrear o caminho e cuidar do córrego perto de casa para evitar problemas com mau cheiro, doenças e enchentes. Em sua igreja local, ela organizou oficinas de reaproveitamento, mutirões de cuidado com a rua e a criação de hortas comunitárias. E fez tudo isso com a mesma fé com que ora e lê a Bíblia. Porque, para ela, fé e cuidado com a Terra são parte do mesmo chamado.

Participando das reuniões comunitárias, Maria percebeu que os problemas dos vizinhos eram iguais, portanto, coletivos, e juntando as pessoas, elas conseguiriam ajudar umas às outras a solucioná-los.

Juntos, eles tiveram a força e a organização necessária para melhorar o bairro e evitar problemas que conviviam há anos, pois finalmente entenderam que o bairro em que moram é um espaço de compartilhar, e não dividir, onde cada um tinha muito a contribuir, para que todos pudessem usufruir do que Deus lhes deu.

Tudo isso aconteceu porque Deus chamou Maria para cultivar e guardar o seu jardim, ela foi o sal — que conserva o que ainda pode ser salvo, e foi luz — para que outros também vissem o caminho. E por onde for, ela não cansava de dizer que : proteger o que o Senhor criou também é servir a Ele e ao nosso próximo. Pois onde há cuidado, o Éden pode recomeçar.


Nayane Cristina Ramos de Oliveira Lobo, 26 anos, protestante.

2025 Salvador / Cruz das Almas – BA
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA.

O que a literatura de Clarice Lispector tem a dizer sobre ecologia?

Que mistério tem Clarice?
Caetano Veloso, Clarice


Parte da crítica literária não considerou o papel fundamental de outros viventes e da ecologia na obra de Clarice Lispector. Essa lacuna expressa um problema estrutural, pois, historicamente, existe uma cisão nas culturas ocidentais, uma espécie de dualismo que separa e inferioriza o não humano em detrimento do humano – gesto que não ocorre, por exemplo, nas culturas ameríndias e africanas. Porém, ao folhearmos os manuscritos clariceanos com atenção e uma escuta atenta, perceberemos a importância que a escritora dá à natureza, realizando uma espécie de ecoliteratura.

Uma outra questão que atravessa a literatura de Lispector é seu interesse pelo sagrado, pelo desconhecido, pela magia e misticismo. Além da sua origem judaica, Clarice tematiza e interpreta o cristianismo à sua maneira, dando títulos que se atrelam a essa religião para seus textos, como A paixão segundo G.H, Perdoando Deus e Viva crúcis. No entanto, o sagrado, na perspectiva clariceana, se encontra no cotidiano, nos fenômenos naturais: “Tenho pouco a dizer para uma plateia exigente. Mas vou dizer uma coisa: para mim, o que quer que exista, existe por algum tipo de mágica. Além disso, os fenômenos naturais são mais mágicos do que os sobrenaturais”. Essas palavras foram escritas para uma Conferência de Bruxaria na Colômbia, em 1976, intitulada “Literatura e magia”, no qual Clarice fez uma associação com uma tempestade que havia ocorrido há cerca de dois meses no Rio de Janeiro.

Existe na obra de Lispector um grande encontro entre as alteridades humanas e não humanas, que se expressa a partir da ideia de acontecimento, como uma epifania, um encontro divino e transformador, que muda toda a rota, como é o caso da experiência da personagem G.H. com a barata, que se dá num gesto de abertura para o outro, uma abertura para o mundo animal, bem como a vivência com o mundo vegetal da personagem Ana no conto “Amor”, tendo como cenário o jardim botânico do Rio de Janeiro que, inclusive, aparece em outras crônicas, tal como Um ato gratuito: “Eu ia no jardim botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver” (Lispector, 2020, p. 528). Podemos notar o prazer, o cuidado e uma certa familiarização com a natureza, assim como a experiência sagrada vivida no cotidiano, o sobrenatural se revelando naquilo que é da ordem do natural, do corriqueiro.

Em Clarice Lispector, o humano e não humano se entrelaçam ou se “intertrocam”, conforme menciona Evando Nascimento (2021). A natureza na obra clariceana não é tratada simplesmente como um pano de fundo, mas como parte integrante e fundamental da experiência sensível e existencial de suas personagens. O texto clariceano revela uma ecologia sutil, ultrapassando a abordagem ambiental tradicional, aproximando-se de uma poética da relação – para falar nos termos de Édouard Glissant (2021). Há, portanto, uma espécie de comungar com vegetais, bichos e outros seres viventes e não viventes, que convoca uma partilha e um viver junto. Comungar é também amar os outros, sendo esta uma das três coisas na qual Clarice afirma ter nascido em sua crônica “As três experiências”, publicada em 11 de maio de 1968 no Jornal do Brasil.

Lispector é um tipo de escritora que tem estima pelo pequeno, pelo imperceptível, e isso se mostra de diversas formas: nas personagens mulheres (a nordestina Macabéa; mães; professoras), na criança, nos animais, nos vegetais e tudo o que aparentemente não se enquadra no estatuto do ser. Clarice dá voz a quem não costuma ser ouvido, trazendo aqueles que costumam chegar depois. A alteridade de Clarice é radical, sendo uma escritora que afirma todo outro que se achega.

Outros textos esboçam essa alteridade radical, tal como a crônica Bichos, no qual Lispector lista e comenta sobre vários tipos de animais, além de O búfalo de Laços de Família, O ovo e a galinha, A quinta história, Onde estivestes de noite, Um sopro de vida, Água viva. Segundo Evando Nascimento (2012), todas esses manuscritos citados “ficcionalizaram certo não humano não como aquilo que ameaça o homem, mas, ao contrário, contribui para o ultrapasse das barreiras impostas pela civilização dita ocidental no avançado estágio de seu desenvolvimento tecnológico” (Nascimento, 2012, p. 25)

Portanto, não se trata de estabelecer a antiga oposição para com os outros animais e seres viventes, e ainda, não se trata de simplesmente estudar o comportamento dos bichos como em outras áreas do conhecimento, tal como a biologia ou zoologia, mas sim se trata de estar aberto às alteridades, de experimentar o ser-outro, ou, em termos deleuzianos, “o devir-outro”, nomeado por Evando Nascimento (2012) como “tornar-se outro”. Outrar-se, conforme a poesia de Fernando Pessoa. A literatura de Clarice Lispector tem muito a nos dizer, sim, sobre ecologia, sobretudo, no que se refere às relações entre fé e clima, ao incluir esses assuntos em sua obra e torná-los importantes questões a serem pensadas e discutidas – sejam no âmbito religioso ou literário –, inspirando a cultura contemporânea a seguir expandindo, acolhendo, cuidando desta Casa Comum e rompendo fronteiras.

Referências

GLISSANT, Édouard. Poética da relação. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

LISPECTOR, Clarice. Outros escritos. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

ISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 2020.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2020.

NASCIMENTO, Evando. Clarice Lispector: Uma literatura pensante. Rio de Janeiro:
Civilização Brasiliense, 2012.

NASCIMENTO, Evando. Clarice e as plantas: a poética e a estética das sensitivas. In:
Quanto ao futuro: Clarice. Org. Júlio Diniz. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

 


Quésia Olanda é carioca, moradora de Nova Iguaçu, na baixada fluminense. É poeta e professora. Doutoranda em História da Filosofia (PPGF/UFRJ). Mestra em Estética e Filosofia da Arte (UERJ). Graduada em Filosofia (UFRRJ).

Vigílias pela Terra no Rio de Janeiro: encontro inter-religioso e cultural em defesa do meio ambiente

A mobilização é uma iniciativa do Instituto de Estudos da Religião (ISER) que une espiritualidade, arte e justiça climática


Centenas de pessoas entre lideranças religiosas, artistas, movimentos sociais, ambientalistas, representantes dos povos originários e comunidades de fé participaram do evento Vigílias pela Terra, no Largo da Candelária, Centro do Rio, no último sábado de agosto (30). O encontro promoveu shows artísticos, manifestações em diálogo inter-religioso, feira gastronômica e espaço infantil com oficina de argila e sementes. A iniciativa Vigílias pela Terra viabiliza articulações e sensibilização a partir de diferentes grupos religiosos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. O evento é uma mobilização inter-religiosa, promovida pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) em interlocução com vários parceiros que une espiritualidade, arte e cultura em defesa do meio ambiente. 

Uma parte destacada da Vigília foi a manifestação chamada ‘Vozes pela Terra’ marcada pela participação de diversas tradições religiosas e espirituais, como lideranças indígenas, pastores, padres, lideranças de religiões de matriz africana, do judaísmo, islamismo, budismo, Santo Daime, wicca e muito mais. Diferentes vozes ocupando um espaço público, unidas em defesa do meio ambiente, reforçando a importância do diálogo inter-religioso para uma sociedade democrática e plural. Em tempos de intensificação da crise climática e conflitos ideológicos, inclusive de intolerância religiosa, o diálogo, união e ação em torno de justiça climática e direitos humanos são fundamentais.  

Estiveram presentes lideranças indígenas e religiosas como Marize Guarani (indígena), pastora Viviane Costa (evangélica), Padre Ricardo Resende (católico), Dom Roberto Ferreria Paz (católico), Mãe Flávia Pinto (umbanda), Pastor Vladimir Oliveira (evangélico), Augusto Zimbres (Brahma Kumaris), Patricia Tolmasquim (judaísmo), Babalawô Ivanir dos Santos (candomblé), Reverenda Lusmarina Campos Garcia (luterana), Sheik Adam Muhamad (Islã), Sacerdote Og Sperle (Wicca), Irmã Maria das Graças Rodrigues (catolicismo), Edvaldo Roberto de Oliveira (espírita), Raga Bhumi (Hare Krishna), Maira Fernandes (Budismo), Bárbara Athamis (Xamanismo), Reverendo Daniel Rangel (anglicano), Babalorixá Joaquim de Ogum (candomblé).

A Vigília Pela Terra une espiritualidade, música, arte, cultura e diversas vozes de diferentes gerações que ampliam o debate e reforçam a importância da união nesta luta comum em defesa da Terra e toda natureza.

O evento também teve shows de artistas como Xangai, Jonathan Ferr, Jongo da Serrinha, Bela Ciavatta, Doralyce, Kiko Horta, Edgar Duvivier, Olivia Byington, Ana Bispo, Júlia Vargas, Coral Guarani, Kaê Guajajara, Hugo Ojuara e Kiko Horta, acompanhados pelo banda Bondesom.

A diretora executiva do ISER Ana Carolina Evangelista reforça que a Vigília pela Terra reflete a importância da mobilização e proteção ambiental a partir da articulação de diferentes grupos de fé. “Os grupos de fé, a partir das suas vertentes, livros sagrados, crenças, são originalmente protetores da casa comum, da natureza, da Terra. É muito importante ter representantes dos grupos religiosos como aliados na proteção ambiental e na sensibilização da população”, afirma. 

Em 1992, o ISER promoveu a primeira vigília inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, no Aterro do Flamengo. Mais de 30 mil pessoas se uniram para dar o grito em defesa da Terra, entre elas lideranças religiosas como Dalai Lama (budismo), Dom Helder Câmara (catolicismo) e Mãe Beata de Iemanjá (religiões de matriz africana). A mobilização, realizada durante a ECO-92, deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, disponível no canal do Youtube do ISER. 

33 anos depois, o ISER segue acreditando na importância do diálogo inter-religioso para fortalecer iniciativas em defesa do meio ambiente e contribuir com uma sociedade mais justa e democrática

Neste ano, as Vigílias pela Terra serão realizadas nas cinco regiões do Brasil. A mobilização teve início em abril, no ato de abertura do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e seguiu para Porto Alegre, numa vigília às margens do Guaíba. O evento também foi realizado em Manaus, em frente ao Teatro Amazonas, e seguirá para Natal (13/09) e Recife (11/10). A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que ocorrerá no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30, no dia 13 de novembro.  

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais. Vigílias pela Terra é uma ação inter-religiosa rumo à COP 30.

Vigílias pela Terra: evento inter-religioso pela COP 30 acontece no Largo da Candelária

Mobilização reúne lideranças religiosas, ambientalistas, movimentos sociais e shows artísticos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática


No dia 30 de agosto, o Largo da Candelária, centro do Rio de Janeiro, será palco do evento Vigílias pela Terra, uma mobilização inter-religiosa promovida pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com diversas comunidades e organizações da sociedade civil. O evento tem como objetivo promover articulação a partir de grupos religiosos diversos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. A mobilização reunirá diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos, artistas, pessoas e comunidades de fé, em diferentes regiões pelo Brasil ao longo dos próximos três meses para celebrações inter-religiosas em defesa da Terra. A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que ocorrerá no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30. O evento do Rio será gratuito e começa a partir das 15h.

A mobilização une espiritualidades, cultura e ação por justiça climática. O encontro terá apresentações artísticas de Jongo da Serrinha, Kaê Guajajara, Xangai, Jonathan Ferr, Coral Guarani da Aldeia de Mata Bonita, Ana Bispo, Bela Ciavatta, Doralyce, Hugo Ojuara, Matriarcado de Oya, Edgar Duvivier, Olivia Byington, entre outras vozes.

A Vigílias pela Terra marca 33 anos da primeira Vigília Inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, realizada pelo ISER, durante a ECO-92, no Aterro do Flamengo, quando 30 mil pessoas estiveram presentes, entre elas lideranças religiosas como Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Mãe Beata de Iemanjá. A mobilização deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, disponível no canal do Youtube do ISER.

Desta vez, as Vigílias pela Terra acontecem nas cinco regiões do Brasil. A mobilização teve início em abril, no ato de abertura do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e seguiu para Porto Alegre. O evento também será realizado em Manaus (06/09), Natal (13/09), Recife (11/10) e o último encontro será em Belém, na COP 30, no dia 13 de novembro, no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30.

O Diretor Adjunto do ISER Clemir Fernandes, entende ser fundamental que as religiões façam parte do enfrentamento à crise climática a partir de suas próprias práticas de fé. “Em 1992 a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as religiões e tradições espirituais podem aportar um despertamento ético fundamental para que tomadores de decisão sejam ousados e eficazes no cumprimento de metas para interromper a curva ascendente da grave crise climática atual”, reforça.

Para a Coordenadora de Meio Ambiente e Religião do ISER Isabel Pereira, a COP 30 vem sendo considerada um marco mundial fundamental para o enfrentamento da crescente crise climática. “Apesar das limitações dos avanços por meio das negociações durante a conferência, temos a oportunidade de fazer o tema chegar a mais pessoas. A população precisa estar convencida da necessidade de enfrentar esta crise e do potencial transformador que sua mobilização pode causar neste cenário, especialmente considerando seus territórios e agendas locais”, pondera.

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais. Vigílias pela Terra é uma ação inter-religiosa rumo à COP 30.

SERVIÇO

Vigílias Pela Terra
Data: 30 de agosto
Local: Largo da Candelária – Rio de Janeiro (RJ)
Horário: A partir das 15h

[CONVITE] Vigílias pela Terra – 30 de agosto no Rio de Janeiro

Unindo vozes diversas em ação pelo meio ambiente


Olá! Como vai?

Temos um convite especial para você!

No dia 30 de agosto, às 15h, o Largo da Candelária, será palco de um encontro que une espiritualidades, cultura e justiça climática: a Vigílias pela Terra, uma mobilização inter-religiosa promovida pelo ISER. 

Inspirada por uma história que começou há 33 anos, quando o ISER realizou a primeira Vigília Inter-religiosa, durante a ECO-92, e nomes como Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Mãe Beata de Iemanjá estiveram presentes reafirmando que cuidar da Terra é também um ato de fé. Após todos esses anos, seguimos escrevendo essa história com esperança de viver em uma sociedade mais sustentável.

Com a intensificação da crise climática, reforçamos a importância de nos unirmos. Nossa mobilização reunirá diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, ambientalistas, coletivos, ativistas e comunidades de fé para fortalecer ações que promovam a justiça climática.

No palco, teremos apresentações artísticas de Jongo da Serrinha, Kaê Guajajara, Xangai, Coral Guarani da Aldeia de Mata Bonita, Ana Bispo, Bela Ciavatta, Doralyce, Hugo Ojuara, Edgar Duvivier, Olivia Byington e muitas outras vozes.

Nossa caminhada com a Vigília pela Terra teve início em abril, no ato de lançamento durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, seguiu para Porto Alegre e a próxima parada será no Rio de Janeiro. Também passaremos por Manaus (06/09), Natal (13/09) e Recife (11/10). A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, no dia 13 de novembro, no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30

Estamos diante de um momento decisivo. A crise climática não é mais um alerta e o Brasil se prepara para sediar, pela primeira vez, a COP 30. É tempo de luta, diálogo e ação. 

Junte-se a nós nesta mobilização em defesa da Terra! Vamos nessa?

Esperamos você!

SERVIÇO:

Endereço: Largo da Candelária – Centro do Rio de Janeiro
Data: 30 de Agosto
Horário: 15h