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Vigílias pela Terra no Rio de Janeiro: encontro inter-religioso e cultural em defesa do meio ambiente

A mobilização é uma iniciativa do Instituto de Estudos da Religião (ISER) que une espiritualidade, arte e justiça climática


Centenas de pessoas entre lideranças religiosas, artistas, movimentos sociais, ambientalistas, representantes dos povos originários e comunidades de fé participaram do evento Vigílias pela Terra, no Largo da Candelária, Centro do Rio, no último sábado de agosto (30). O encontro promoveu shows artísticos, manifestações em diálogo inter-religioso, feira gastronômica e espaço infantil com oficina de argila e sementes. A iniciativa Vigílias pela Terra viabiliza articulações e sensibilização a partir de diferentes grupos religiosos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. O evento é uma mobilização inter-religiosa, promovida pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) em interlocução com vários parceiros que une espiritualidade, arte e cultura em defesa do meio ambiente. 

Uma parte destacada da Vigília foi a manifestação chamada ‘Vozes pela Terra’ marcada pela participação de diversas tradições religiosas e espirituais, como lideranças indígenas, pastores, padres, lideranças de religiões de matriz africana, do judaísmo, islamismo, budismo, Santo Daime, wicca e muito mais. Diferentes vozes ocupando um espaço público, unidas em defesa do meio ambiente, reforçando a importância do diálogo inter-religioso para uma sociedade democrática e plural. Em tempos de intensificação da crise climática e conflitos ideológicos, inclusive de intolerância religiosa, o diálogo, união e ação em torno de justiça climática e direitos humanos são fundamentais.  

Estiveram presentes lideranças indígenas e religiosas como Marize Guarani (indígena), pastora Viviane Costa (evangélica), Padre Ricardo Resende (católico), Dom Roberto Ferreria Paz (católico), Mãe Flávia Pinto (umbanda), Pastor Vladimir Oliveira (evangélico), Augusto Zimbres (Brahma Kumaris), Patricia Tolmasquim (judaísmo), Babalawô Ivanir dos Santos (candomblé), Reverenda Lusmarina Campos Garcia (luterana), Sheik Adam Muhamad (Islã), Sacerdote Og Sperle (Wicca), Irmã Maria das Graças Rodrigues (catolicismo), Edvaldo Roberto de Oliveira (espírita), Raga Bhumi (Hare Krishna), Maira Fernandes (Budismo), Bárbara Athamis (Xamanismo), Reverendo Daniel Rangel (anglicano), Babalorixá Joaquim de Ogum (candomblé).

A Vigília Pela Terra une espiritualidade, música, arte, cultura e diversas vozes de diferentes gerações que ampliam o debate e reforçam a importância da união nesta luta comum em defesa da Terra e toda natureza.

O evento também teve shows de artistas como Xangai, Jonathan Ferr, Jongo da Serrinha, Bela Ciavatta, Doralyce, Kiko Horta, Edgar Duvivier, Olivia Byington, Ana Bispo, Júlia Vargas, Coral Guarani, Kaê Guajajara, Hugo Ojuara e Kiko Horta, acompanhados pelo banda Bondesom.

A diretora executiva do ISER Ana Carolina Evangelista reforça que a Vigília pela Terra reflete a importância da mobilização e proteção ambiental a partir da articulação de diferentes grupos de fé. “Os grupos de fé, a partir das suas vertentes, livros sagrados, crenças, são originalmente protetores da casa comum, da natureza, da Terra. É muito importante ter representantes dos grupos religiosos como aliados na proteção ambiental e na sensibilização da população”, afirma. 

Em 1992, o ISER promoveu a primeira vigília inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, no Aterro do Flamengo. Mais de 30 mil pessoas se uniram para dar o grito em defesa da Terra, entre elas lideranças religiosas como Dalai Lama (budismo), Dom Helder Câmara (catolicismo) e Mãe Beata de Iemanjá (religiões de matriz africana). A mobilização, realizada durante a ECO-92, deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, disponível no canal do Youtube do ISER. 

33 anos depois, o ISER segue acreditando na importância do diálogo inter-religioso para fortalecer iniciativas em defesa do meio ambiente e contribuir com uma sociedade mais justa e democrática

Neste ano, as Vigílias pela Terra serão realizadas nas cinco regiões do Brasil. A mobilização teve início em abril, no ato de abertura do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e seguiu para Porto Alegre, numa vigília às margens do Guaíba. O evento também foi realizado em Manaus, em frente ao Teatro Amazonas, e seguirá para Natal (13/09) e Recife (11/10). A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que ocorrerá no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30, no dia 13 de novembro.  

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais. Vigílias pela Terra é uma ação inter-religiosa rumo à COP 30.

Vigílias pela Terra: evento inter-religioso pela COP 30 acontece no Largo da Candelária

Mobilização reúne lideranças religiosas, ambientalistas, movimentos sociais e shows artísticos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática


No dia 30 de agosto, o Largo da Candelária, centro do Rio de Janeiro, será palco do evento Vigílias pela Terra, uma mobilização inter-religiosa promovida pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com diversas comunidades e organizações da sociedade civil. O evento tem como objetivo promover articulação a partir de grupos religiosos diversos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. A mobilização reunirá diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos, artistas, pessoas e comunidades de fé, em diferentes regiões pelo Brasil ao longo dos próximos três meses para celebrações inter-religiosas em defesa da Terra. A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que ocorrerá no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30. O evento do Rio será gratuito e começa a partir das 15h.

A mobilização une espiritualidades, cultura e ação por justiça climática. O encontro terá apresentações artísticas de Jongo da Serrinha, Kaê Guajajara, Xangai, Jonathan Ferr, Coral Guarani da Aldeia de Mata Bonita, Ana Bispo, Bela Ciavatta, Doralyce, Hugo Ojuara, Matriarcado de Oya, Edgar Duvivier, Olivia Byington, entre outras vozes.

A Vigílias pela Terra marca 33 anos da primeira Vigília Inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, realizada pelo ISER, durante a ECO-92, no Aterro do Flamengo, quando 30 mil pessoas estiveram presentes, entre elas lideranças religiosas como Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Mãe Beata de Iemanjá. A mobilização deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, disponível no canal do Youtube do ISER.

Desta vez, as Vigílias pela Terra acontecem nas cinco regiões do Brasil. A mobilização teve início em abril, no ato de abertura do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e seguiu para Porto Alegre. O evento também será realizado em Manaus (06/09), Natal (13/09), Recife (11/10) e o último encontro será em Belém, na COP 30, no dia 13 de novembro, no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30.

O Diretor Adjunto do ISER Clemir Fernandes, entende ser fundamental que as religiões façam parte do enfrentamento à crise climática a partir de suas próprias práticas de fé. “Em 1992 a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as religiões e tradições espirituais podem aportar um despertamento ético fundamental para que tomadores de decisão sejam ousados e eficazes no cumprimento de metas para interromper a curva ascendente da grave crise climática atual”, reforça.

Para a Coordenadora de Meio Ambiente e Religião do ISER Isabel Pereira, a COP 30 vem sendo considerada um marco mundial fundamental para o enfrentamento da crescente crise climática. “Apesar das limitações dos avanços por meio das negociações durante a conferência, temos a oportunidade de fazer o tema chegar a mais pessoas. A população precisa estar convencida da necessidade de enfrentar esta crise e do potencial transformador que sua mobilização pode causar neste cenário, especialmente considerando seus territórios e agendas locais”, pondera.

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais. Vigílias pela Terra é uma ação inter-religiosa rumo à COP 30.

SERVIÇO

Vigílias Pela Terra
Data: 30 de agosto
Local: Largo da Candelária – Rio de Janeiro (RJ)
Horário: A partir das 15h

[CONVITE] Vigílias pela Terra – 30 de agosto no Rio de Janeiro

Unindo vozes diversas em ação pelo meio ambiente


Olá! Como vai?

Temos um convite especial para você!

No dia 30 de agosto, às 15h, o Largo da Candelária, será palco de um encontro que une espiritualidades, cultura e justiça climática: a Vigílias pela Terra, uma mobilização inter-religiosa promovida pelo ISER. 

Inspirada por uma história que começou há 33 anos, quando o ISER realizou a primeira Vigília Inter-religiosa, durante a ECO-92, e nomes como Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Mãe Beata de Iemanjá estiveram presentes reafirmando que cuidar da Terra é também um ato de fé. Após todos esses anos, seguimos escrevendo essa história com esperança de viver em uma sociedade mais sustentável.

Com a intensificação da crise climática, reforçamos a importância de nos unirmos. Nossa mobilização reunirá diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, ambientalistas, coletivos, ativistas e comunidades de fé para fortalecer ações que promovam a justiça climática.

No palco, teremos apresentações artísticas de Jongo da Serrinha, Kaê Guajajara, Xangai, Coral Guarani da Aldeia de Mata Bonita, Ana Bispo, Bela Ciavatta, Doralyce, Hugo Ojuara, Edgar Duvivier, Olivia Byington e muitas outras vozes.

Nossa caminhada com a Vigília pela Terra teve início em abril, no ato de lançamento durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, seguiu para Porto Alegre e a próxima parada será no Rio de Janeiro. Também passaremos por Manaus (06/09), Natal (13/09) e Recife (11/10). A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, no dia 13 de novembro, no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30

Estamos diante de um momento decisivo. A crise climática não é mais um alerta e o Brasil se prepara para sediar, pela primeira vez, a COP 30. É tempo de luta, diálogo e ação. 

Junte-se a nós nesta mobilização em defesa da Terra! Vamos nessa?

Esperamos você!

SERVIÇO:

Endereço: Largo da Candelária – Centro do Rio de Janeiro
Data: 30 de Agosto
Horário: 15h

Vigílias Pela Terra: mobilização nacional reúne lideranças religiosas em favor da justiça climática

O movimento é uma iniciativa do Instituto de Estudos da Religião (ISER)


Cerca de 250 pessoas entre lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos e comunidades de fé se reuniram para a abertura do movimento Vigílias Pela Terra, na Orla do Guaíba, em Porto Alegre, no último sábado (17/05). O encontro promoveu intervenções artísticas por meio do diálogo inter-religioso e teve como objetivo viabilizar articulações a partir de grupos religiosos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. O movimento também realizou um memorial às vítimas da enchente no Rio Grande do Sul, ocorrida em maio de 2024. Ao longo do ano, as Vigílias Pela Terra vão acontecer nas cinco regiões do Brasil, em diferentes cidades, sendo Rio de Janeiro, Manaus, Recife e Natal, terminando com uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que será no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30. A mobilização é uma iniciativa do Fé no Clima, do Instituto de Estudos da Religião (ISER). 

Durante o ato em Porto Alegre, diversas lideranças religiosas estiveram presentes. Dentre elas, algumas fizeram discursos e intervenções artísticas em defesa da Terra, como a Cacica Iracema, indígena da Retomada Gãh Ré, o Pai Dejair de Ogum,  Bianca Pedemonte, representante da Fé Bahai, Tiago Santos, do Coletivo Abrigo, a Monja Kokai Eckert, do Zen Budismo, a Irmã Claudete Rissini, católica da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas), o Pastor Olmiro Ribeiro Júnior, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana e o Lama Padma Samten, da Comunidade Budista Tibetana. Além da participação de movimentos de catadoras e grupos socioambientais. No final da tarde, na orla do Guaíba, próxima a Usina do Gasômeto e ao monumento em homenagem aos voluntários que atuaram na enchente, manifestantes entoaram o mantra: “Tudo está interligado como se fossemos um”.

O articulador do ISER Paulo Sampaio enfatiza a importância de iniciar as Vigílias Pela Terra em Porto Alegre, um ano após a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, que deixou cerca de 79 mil pessoas desabrigadas. “Juntamos nossas vozes desde o Bioma Pampa, que se conecta com a Mata Atlântica e o sistema costeiro-marinho, em memória às vítimas das enchentes de maio de 2024. Situação que ainda não foi superada completamente, pois muita gente segue em abrigos na espera de política pública que atenda suas demandas por direitos. Este espaço também é um grito por justiça, não enfrentamos todos a mesma crise. Sentimos os impactos da crise climática de forma diversa. O racismo que provoca a intolerância, invasão e violação de terreiros é o mesmo que faz com que populações pretas e periféricas e as comunidades tradicionais sejam as mais afetadas pelos eventos climáticos”, pondera.

A ação foi co-organizada em parceria com o Fórum Inter-religioso e Ecumênico do Rio Grande do Sul (FIRE), a Fundação Luterana de Diaconia, o Coletivo Abrigo, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Zen Budismo do Vale dos Sinos, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), a Visão Mundial, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, o Conselho Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, o Youth Action Hub, o Global Shapers POA, Instituto Zen Maitreya-Zendo Diamante, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), Youth Action Hub da ONU, Curicaca, Nación Pachamama, Pastoral da Juventude Estudantil, Programa de Gênero e Religião da Faculdade EST, Comitê de Povos e Comunidades Tradicionais dos Pampas, dentre outras entidades e personalidades. 

Em junho de 1992, o ISER realizou a Vigília Inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, em defesa do meio ambiente. O encontro aconteceu no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92). Durante 12 horas, cerca de 30 mil pessoas e 300 lideranças religiosas se reuniram e realizaram celebrações de 25 tradições religiosas e espirituais diferentes. A mobilização deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, dirigido por João Moreira Salles, disponível no canal do Youtube do ISER. 

A celebração foi encerrada com uma meditação conduzida pelo Lama Samten, recitando o mantra de Tara. Ao comentar sobre os mais de 30 anos que separam os dois eventos sobre o clima realizado no país, Samten afirma que de lá para cá, muitas palavras foram derramadas mas quase pouco foi feito efetivamente. “A novidade que a gente teve de lá para cá é que nós estamos nos conscientizando que as palavras não são suficientes. Porque nós entendemos todas as coisas, mas a humanidade segue impulsionada de um modo destrutivo. A vigília é quando a gente abre o coração, pede que as coisas milagrosamente aconteçam. A racionalidade, ela já produziu todas as palavras, nós precisamos agora das transformações”, ressaltou.

O diretor adjunto do ISER, Clemir Fernandes, entende ser fundamental que as religiões façam parte do enfrentamento à crise climática a partir de suas próprias práticas de fé. “Em 1992 a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as religiões e tradições espirituais podem aportar um despertamento ético fundamental para que tomadores de decisão sejam ousados e eficazes no cumprimento de metas para interromper a curva ascendente da grave crise climática atual”, reforça.

Para a Coordenadora de Meio Ambiente e Religião do ISER Isabel Pereira, a COP 30 vem sendo considerada um marco mundial fundamental para o enfrentamento da crescente crise climática. “Apesar das limitações dos avanços por meio das negociações durante a conferência, temos a oportunidade de fazer o tema chegar a mais pessoas. A população precisa estar convencida da necessidade de enfrentar esta crise e do potencial transformador que sua mobilização pode causar neste cenário, especialmente considerando seus territórios e agendas locais”, pondera. 

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais.

ISER lança movimento Vigílias Pela Terra rumo à COP 30

Mobilização reúne diferentes lideranças religiosas para diálogo inter-religioso que fortaleçam a justiça climática


O Instituto de Estudos da Religião (ISER) dá início ao movimento Vigílias Pela Terra rumo à COP 30, em Porto Alegre. A mobilização reunirá diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos, pessoas e comunidades de fé, em diferentes regiões pelo Brasil ao longo do ano para celebrações inter-religiosas em defesa da Terra. O objetivo do encontro é promover articulação a partir de grupos religiosos diversos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. A culminância desse percurso será uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém, que ocorrerá no âmbito do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30. A primeira Vigília Pela Terra será em Porto Alegre, na Orla do Guaíba, próximo à Usina do Gasômetro, no dia 17 de maio, a partir das 15h.

Durante a Vigília, terá a participação de lideranças religiosas de diferentes crenças, intervenções artísticas, homenagem às vítimas da enchente no Rio Grande do Sul e meditação no pôr do sol. A atividade está sendo co-organizada em parceria com o Fórum Inter-religioso e Ecumênico do Rio Grande do Sul (FIRE), a Fundação Luterana de Diaconia, o Coletivo Abrigo, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Zen Budismo do Vale dos Sinos, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva ( CEBB), a Visão Mundial, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, o Conselho Estadual do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, o Youth Action Hub, o Global Shapers POA, o Comitê de Povos e Comunidades Tradicionais dos Pampas, dentre outras entidades. 

Em junho de 1992, o ISER realizou a Vigília Inter-religiosa ‘Um Novo Dia para a Terra’, em defesa do meio ambiente. O encontro aconteceu no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92). Durante 12 horas, cerca de 30 mil pessoas e 300 lideranças religiosas se reuniram e realizaram celebrações de 25 tradições religiosas e espirituais diferentes. A mobilização deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, dirigido por João Moreira Salles, disponível no canal do Youtube do ISER. 

O diretor adjunto do ISER, Clemir Fernandes, entende ser fundamental que as religiões façam parte do enfrentamento à crise climática a partir de suas próprias práticas de fé. “Em 1992 a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as religiões e tradições espirituais podem aportar um despertamento ético fundamental para que tomadores de decisão sejam ousados e eficazes no cumprimento de metas para interromper a curva ascendente da grave crise climática atual”, reforça.

A atividade de Porto Alegre tem o apoio de Dalai Lama, que enviou uma carta de incentivo à comunidade. “Sei que o Brasil tem um forte senso de proteção ambiental, e a enchente do ano passado é mais um lembrete para todos nós trabalharmos juntos para tornar o Brasil e o mundo um lugar melhor, agora e no futuro”, escreveu. 

No dia 08 de abril, o ISER realizou a primeira atividade pública do ano rumo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 30), na Marcha de Abertura do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. O momento simbolizou o lançamento das Vigílias Pela Terra, reforçando o apoio à luta dos direitos dos povos indígenas. O encontro reuniu as lideranças religiosas Mãe Dora de Oyá, Yalorisá do Ilê Axé T’ojú Labá e Fundadora do Afoxé Ogum, a Pastora Romi Bencke, Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e o Padre Marcus Barbosa, Assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para a Coordenadora de Meio Ambiente e Religião do ISER Isabel Pereira, a COP 30 vem sendo considerada um marco mundial fundamental para o enfrentamento da crescente crise climática. “Apesar das limitações dos avanços por meio das negociações durante a conferência, temos a oportunidade de fazer o tema chegar a mais pessoas. A população precisa estar convencida da necessidade de enfrentar esta crise e do potencial transformador que sua mobilização pode causar neste cenário, especialmente considerando seus territórios e agendas locais”, pondera. 

Em 2025, a 30ª edição da COP do Clima será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, na Amazônia brasileira. A conferência reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações que combatam as mudanças climáticas, proponham políticas públicas de justiça climática, apresentem inovações tecnológicas e de financiamento para adaptação e mitigação dessa crise e mais.

Iniciando a Vigília Pela Terra na região Sul do país, a mobilização se reúne com olhar desde o Bioma Pampa até a Amazônia. Dialogando com os povos, comunidades e lideranças tradicionais, suas contribuições e demandas, o movimento em Porto Alegre ocorre no marco de um ano das tragédias que afetaram o Rio Grande do Sul, pretendendo ser também um grande memorial às vítimas e celebração de todo o trabalho de solidariedade e voluntariado.

 

SERVIÇO

Vigílias Pela Terra
Data: 17 de maio
Local: Orla do Guaíba – Porto Alegre (RS)
Horário: Das 15h às 19h

 

ISER recebe homenagem na Câmara Municipal do Recife por atuação socioambiental

ISER recebe homenagem na Câmara Municipal do Recife por atuação socioambientalFoto: João Paulo Seixas

 

Em uma sessão solene na Câmara Municipal do Recife, realizada em celebração à Semana do Meio Ambiente, o Instituto de Estudos da Religião (ISER) recebeu um certificado de homenagem, destacando sua atuação fundamental na articulação entre fé e meio ambiente. A homenagem é uma iniciativa da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) e foi realizada no dia 09 de junho.

O reconhecimento teve como foco especial o projeto Fé no Clima e a Vigílias pela Terra, evento inter-religioso realizado em diversas regiões do Brasil em 2025, com ênfase na que ocorreu em Recife, em outubro. O ISER foi representado pelo articulador político-religioso Paulo Sampaio. 

Segundo Sampaio, a homenagem reforça a importância do movimento de pessoas de fé na pauta socioambiental. “É o reconhecimento do trabalho do ISER nas mais diversas regiões do país. Não foi somente a Vigília do Recife que foi homenageada, mas todo o processo de construção das Vigílias pelo país adentro”, afirma. 

A cerimônia contou também com a presença de parceiros estratégicos, como Caio Jorge, do Movimento Nós na Criação, e Emília Rabbani, da Comunidade Bahá’í. Para o ISER, este momento simboliza a valorização do movimento inter-religioso em prol da justiça climática e na defesa dos direitos socioambientais em todo o Brasil.

O Fé no Clima é uma iniciativa do ISER que tem como missão reunir e engajar lideranças religiosas para conscientização de suas comunidades de fé no enfrentamento à crise climática, por meio do diálogo entre cientistas, religiosos, ambientalistas e representantes de povos originários, com objetivos de adaptação, resiliência e justiça climática.

Em 2025, o ISER promoveu a Vigílias pela Terra, uma mobilização inter-religiosa que reuniu diversas lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos, pessoas e comunidades de fé, em diferentes regiões pelo Brasil ao longo do ano para celebrações inter-religiosas em defesa da Terra. O percurso do evento culminou em uma vigília de múltiplas tradições espirituais e sociais durante a COP 30, em Belém. A mobilização teve como objetivo promover articulação a partir de grupos religiosos diversos para fortalecer ações no enfrentamento à crise climática. 

A Vigílias pela Terra também marcou 32 anos da primeira Vigília Inter-religiosa realizada pelo ISER, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A mobilização deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e resultou no documentário ‘Uma Noite Pela Terra’, disponível no canal do Youtube do ISER.

Relembre nossa Vigília pela Terra em Recife!

As juventudes estão ativas nas causas socioambientais

À medida que o agravamento da emergência climática avança e impacta diferentes áreas da vida, torna o senso de urgência de ação, principalmente de quem é diretamente afetado por ela, muito mais latente. É altamente perceptível que as coisas “não andam bem” e essa nova geração tem estado atenta a isto. Em 2022, a pesquisa nacional “Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, realizada pelo Em Movimento, Rede Conhecimento Social, Engajamundo e Instituto Ayíka, apontou que o meio ambiente está entre os três assuntos que mais interessam às juventudes brasileiras. Segundo a pesquisa, 81% dos jovens entrevistados concordam que as mudanças climáticas impactam na qualidade de vida e  62%  afirmaram que o meio ambiente afeta a religião ou filosofia de vida deles e delas. 

Essa percepção transborda para os espaços de fé

A noção de que os problemas ambientais afetam a vida das pessoas numa dimensão holística, com desdobramentos inclusive para esfera da espiritualidade ou religiosidade, é algo que já tem sido abordado pelos movimentos e organizações que trabalham com as temáticas de fé e meio ambiente há pelo menos 30 anos. No Brasil, um marco para essa interseção foi a realização da Vigília um Novo dia pela Terra. O evento inter-religioso, foi coorganizado pelo ISER e demais lideranças espirituais e religiosas em paralelo à ECO92, quando centenas de chefes de Estado se reuniram no Rio de Janeiro para tratar sobre meio ambiente e desenvolvimento. Nesses mais de 30 anos que separam 1992 dos dias atuais, a temática ambiental avançou no debate público, mas também dentro das comunidades religiosas. O Fé no Clima, iniciativa que nasce na área de Religião de Meio Ambiente do ISER, com a missão de reunir e engajar lideranças religiosas para conscientização de suas comunidades de fé no enfrentamento à crise climática, é um desses exemplos. Com o amadurecimento da Iniciativa e a consolidação das redes que se formaram em torno dela, foi possível perceber que, para além das lideranças religiosas, era importante olhar para as pessoas membros das comunidades de fé, em especial, as juventudes. Pois elas também têm interesse por “levar” não só o tema ambiental para as discussões dos seus espaços de fé, mas sob a forma de atividades e práticas que evoquem a sustentabilidade. 

As formações do Fé no Clima

Se por um lado a emergência climática coloca todas as pessoas em risco, não são todos os que estão fortemente engajados em resolver este problema. Apesar das transformações do clima estarem sendo amplamente sentidas, falta, de maneira geral, uma melhor compreensão sobre a problemática e, acima de tudo, o que e como fazer. Quando olhamos mais específicamente para os espaços de fé demanda-se uma ação mais cuidadosa, pois a linguagem que requer é  diferenciada: não é apenas o debate sobre os desafios ambientais, mas uma perspectiva que aponte fundamentações para o cuidado ambiental tanto científicas quanto com base na fé. Fomentar educação socioambiental e climática tem sido uma via frutífera e de conexão com esse público. Nos últimos anos o Fé no Clima tem aberto anualmente turmas regulares de formações. Nas aulas do Boto Fé no Clima: juventudes de fé e ação climática (BFC), ao longo de 2 meses e meio, os participantes aprendem sobre mudanças climáticas, a relação entre fé e meio ambiente, a partir de suas religiões/espiritualidades e comunicação e mobilização. Ao final dos processos formativos, recebem a missão de desenvolverem um projeto que relacione fé e meio ambiente, seja nas suas comunidades de fé, territórios ou para disseminação nas redes sociais. Além do BFC, foram realizadas formações com focos específicos, como o Boto Fé no Clima: adaptação climática e Boto Fé nas Águas: justiça climática e acesso a direitos. 

Pequenas ações: bases para transformações maiores

Mais do que aprenderem sobre a temática, o que essas experiências têm promovido é a oportunidade de transformar a teoria em algo concreto e palpável. Por todo o Brasil, em terreiros, centros, igrejas, aldeias, comunidades, territórios e pelas redes sociais,  rodas de conversa, reuniões, entrevistas, podcasts, vídeos, cineclubes, hortas e outros mais diversos formatos têm sido criados pelas juventudes que fazem o Boto Fé no Clima. Apesar de toda a diversidade no desenvolvimento dos projetos, eles têm algo em comum: falar de forma fácil, acessível e sensível sobre algo que já adentrou nas mentes e corações desses jovens: defender o meio ambiente, o clima e uma relação socioambiental equilibrada é também responsabilidade das pessoas de fé. No decorrer desses três anos, mais de 170 ações já foram realizadas nas cinco regiões do Brasil. Muito mais do que atividades pontuais, os projetos integralizados são ricas oportunidades de semear diálogos e práticas contínuas sobre a interseção entre a fé e o cuidado com a natureza. Como também alcançar mais pessoas que por outras vias não teriam acesso a esses debates. Além de criar um acervo rico de práticas que podem ser replicadas em outros momentos e contextos. E não finaliza aí, uma vez formados esses jovens passam a integrar a Rede de Juventudes do Fé no Clima.

O exemplo das vigílias 

Durante o ano de 2025 as Vigílias pela Terra, eventos inter-religiosos e culturais, co-realizados pelo ISER, regionalmente, e parte do percurso para a COP30 mostraram a força e engajamento dos jovens. Em todas elas tivemos jovens da Rede engajados no processo de preparação, mobilização e participação das vigílias. O que demonstra a vivacidade dessa Rede, a profundidade dessa conexão e a disposição ativa dessas juventudes em fazer ecoar essa mensagem de cuidado e responsabilidade ambiental. Este compromisso ultrapassa as paredes físicas dos templos, mas sim se expande e soma forças com aqueles e aquelas que mesmo de outras matrizes de fé vivenciam o mesmo propósito. 

O que aprendemos com isso?

Frear a emergência climática uma prioridade latente para a humanidade. Não é só a natureza que está ameaçada, é a segurança e possibilidade da existência da vida em suas infinitas formas. Portanto, uma tarefa que precisa ser compartilhada entre todos os setores, classes e gerações. Nos espaços religiosos e de fé, as juventudes têm um papel importante de promotores das pautas ambientais, bem como, de apoiarem suas lideranças nessa missão. O que tem ocorrido de forma muito potente e consistente. 

Sharah Luciano, coordenadora de formações do Fé no Clima

Rumo à COP30: Fé no clima realiza encontro com a Rede de Juventudes

Na última segunda-feira (25/03), a Iniciativa Fé no Clima promoveu um encontro online com a Rede de Juventudes FnC. Um dos motivos do encontro foi à atualização acerca dos próximos passos da iniciativa para 2024.

Com a presença de jovens de todo o Brasil, o Fé no Clima anunciou a abertura das inscrições para a 1° turma do Boto Fé no Clima: adaptação climática e a previsão da realização de outras duas formações ainda este ano: o Boto Fé no Clima: juventudes e ação climática e o Boto Fé no Clima: preparação à COP29.

No calendário de atividades da Iniciativa, estão a incidência em dois grandes eventos da agenda de Clima: a reunião do G20, no final deste ano e a COP30, em 2025. Com inspiração na grande “Vigília pela Terra”, promovida pelo ISER durante a Rio-92, a Iniciativa aproveitou o encontro para reforçar o convite à participação da Rede na construção de uma Nova Grande Vigília pela Terra, no ano que vem, em Belém, durante a COP 30. Além disso, o Fé no Clima também tem costurado junto a sua rede de lideranças e organizações parceiras a realização de vigílias descentralizadas em preparação à vigília principal.

Dentre as falas dos presentes foi destacada a importância da manutenção da realização COP30 em Belém-PA, diante das especulações que têm sido divulgadas pela mídia a respeito de uma possível mudança parcial ou total na capital que abrigará a conferência. Além disso, foi afirmada a necessidade de novos encontros da Rede de Juventudes para construção de mobilização constante rumo à COP30

Por Sharah Luciano, assistente de projetos da Iniciativa Fé no Clima